Fórumcast #19
11 de fevereiro de 2019, 23h59

“Que diferença faz quem é Chico Mendes?”, diz ministro do Meio Ambiente

Em entrevista ao "Roda Viva", Ricardo Salles minimizou a importância do líder ambientalista, não apresentou propostas concretas para o meio ambiente no Brasil e continuou defendendo mais agilidade nas licitações, mesmo após crimes ambientais como os da Vale

Foto: Reprodução/TV Cultura

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, em entrevista concedida ao “Roda Viva”, da TV Cultura, nesta segunda-feira (11), confessou que não conhece a Amazônia e muito menos sabe da história do líder seringueiro Chico Mendes, considerado mundialmente uma das maiores referências da causa ambiental.

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Já no final do programa, o apresentador, Ricardo Lessa, perguntou a opinião de Salles sobre Mendes, ao que ele respondeu: “Eu não conheço o Chico Mendes, escuto histórias de todos os lados. Dos ambientalistas mais ligados à esquerda, que o enaltecem. E das pessoas do agro que  dizem que ele  não era isso que contam. Dizem que usava os seringueiros pra se beneficiar”, afirmou. Lessa rebateu: “Se beneficiar do que? Ele é reconhecido pela ONU”. O ministro, então, disparou: “O que importa quem é Chico Mendes agora?”.

Para além da ignorância com relação a uma liderança que é referência na área em que atualmente é responsável, Salles seguiu defendendo licenciamentos mais ágeis e até mesmo a auto-licenciamentos de empresas que vão atuar em áreas de preservação ambiental ou que suas atividades ofereçam riscos, mesmo confrontado pelos jornalistas com o fato de que as tragédias de Mariana e Brumadinho (MG) aconteceram após licenciamentos relâmpago.

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De acordo com Salles, a ideia é adotar uma política de licenciamentos em que haja “objetividade” pois, assim, os empreendimentos que ofereçam riscos, como as de mineração, sejam melhor executadas.

“Se fosse verdade que esse sistema burocrático funcionasse não teríamos presenciado, nesse sistema, essas tragédias”, disse, de forma retórica.

Ao longo da entrevista, o ministro ainda relativizou os critérios de multas às empresas que cometem crimes ambientais e ainda propôs um processo de “acordo negociado” com infratores, o que, na prática, seria uma espécie de anistia.

Pressionado a oferecer respostas em respeito às vítimas de Mariana e Brumadinho, Salles minimizou e afirmou que a resposta está sendo dada através da presença de autoridades nos locais das tragédias.

“O respeito às vítimas é essa resposta rápida, objetiva, a presença do governo em peso. Três ministros estiveram lá [em Brumadinho] no primeiro dia. O próprio presidente foi ao local”, disse, sem apresentar atitudes concretas para punir a empresa, indenizar as vítimas e evitar novos acidentes.

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Assista a íntegra da entrevista.


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