quarta-feira, 23 set 2020
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Reitores de universidades federais vão processar Weintraub por acusação de plantações de maconha

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, mais uma vez extrapolou nas palavras. A polêmica da vez foi gerada após uma entrevista na qual afirmou que as universidades federais são utilizadas para plantar maconha e produzir psicotrópicos sintéticos. Em reação às declarações, a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) resolveu entrar com uma ação na Justiça contra o ministro.

O grupo acusa Weintraub de prevaricação, crime que ocorre quando um agente público tem conhecimento de uma ilegalidade e não comunica as autoridades. “A entidade afirma que ao atacar a autonomia universitária, prevista na Constituição, o gestor comete crime de responsabilidade. Assim, diante dessas declarações desconcertantes, a Andifes está tomando as providências jurídicas cabíveis para apurar eventual cometimento de crime de responsabilidade, improbidade, difamação ou prevaricação”, diz a nota emitida pelos reitores.

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Em entrevista ao jornal O Globo, o presidente da Andifes, o reitor da Universidade Federal da Bahia, João Salles, cobrou explicações do ministro sobre o seus comentários. “Ele já não respeitava certos limites, mas essa declaração não tem precedentes. Ele indica de uma maneira precisa como se um crime estivesse sendo praticado e que só não é punido porque a polícia não entraria nos campi. Diante disso temos que tomar uma providência”.

Indignação

Em entrevista ao site Jornal da Cidade, Weintraub deu as polêmicas declarações que geraram toda a indignação no meio acadêmico. “Foi criada uma falácia que é que as universidades federais precisam ter autonomia. Justo. Autonomia de pesquisa, autonomia de ensino. Só que essa autonomia acabou se transfigurando em soberania. Então, o que você tem? Você tem plantações de maconha, mas não são três pés de maconha. Tem plantações extensivas de maconha em algumas universidades”, disse Weintraub.

Ele acrescentou que nessas plantações seriam utilizados até borrifadores de agrotóxico. — “Ou coisas piores. Você pega um laboratório de química, uma faculdade de química era um centro de doutrinação, desenvolvendo laboratório de droga sintética, de metanfetamina, porque a polícia não pode entrar lá nos campi”.

Redação
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