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22 de maio de 2018, 08h55

Relatório da CIA responsabiliza SNI e comando do Exército por atentado no Riocentro

O relatório afirma, no entanto, que o então ditador Figueiredo “não precisa necessariamente ter se envolvido de alguma forma com as ações do Exército nestes incidentes”

Um mês depois do atentado do Riocentro, ocorrido durante show em comemoração ao 1º de maio de 1981, no Rio de Janeiro, os Estados Unidos já tinham indícios de que o malogrado ataque a bomba tinha sido organizado por militares brasileiros, e não por grupos de esquerda, como a ditadura militar alegava na época.

A revelação está em um relatório da inteligência americana guardado no Arquivo Nacional, no Rio de Janeiro e foi feita nesta segunda-feira (22), no Jornal Nacional, da Rede Globo, em reportagem de Flávia Freitas e Murilo Salviano, da GloboNews.

O relatório de integrantes da CIA, baseados em Brasília, descreve as circunstâncias do atentado do Riocentro e discute o nível de participação de integrantes do governo militar. De acordo com o relatório, que chegou ao Departamento de Defesa americano, em Washington, no dia 29 de maio de 1981, um dos objetivos do atentado seria atrasar a abertura política.

Conforme o relatório, “não restam dúvidas de que o sargento Guilherme Pereira do Rosário e o capitão Wilson Luís Chaves Machado provocaram o ataque, e não foram as vítimas. Sendo nítido que os dois, como membros do DOI-Codi, agiram sob ordens superiores, e que o diretor do Serviço Nacional de Inteligência e o comandante do Exército, provavelmente, sabiam de todos os detalhes da bomba no Riocentro”.

Mas o serviço de inteligência dos Estados Unidos não expõe o nível de responsabilidade do então presidente João Figueiredo. Afirma que ele “não precisa necessariamente ter se envolvido de alguma forma com as ações do Exército nestes incidentes”.

O atentado

O atentado no Rio Centro foi um dos últimos e um dos mais desastrados movimentos da ditadura militar no Brasil. Durante um show em comemoração ao Dia do Trabalho, em primeiro de maio de 1981, uma bomba explodiu dentro de um carro modelo Puma, onde estavam o sargento Guilherme Pereira do Rosário, que morreu, e o capitão Wilson Luís Chaves Machado, que ficou ferido.

Na época, o exército tentou responsabilizar a esquerda pelo atentado, mas a tese não colou. O caso nunca foi resolvido. O Ministério Público denunciou, em 2014, seis nomes ligados ao Exército por terem planejado o ataque minuciosamente. Mas a ação penal está trancada na Justiça Federal do Rio de Janeiro e aguarda recurso no Superior Tribunal de Justiça.


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