Renan Calheiros se recusa a fazer perguntas para médicos pró-cloroquina e deixa a CPI

Renan Calheiros ainda criticou a declaração de Bolsonaro, de que já estaria imunizado por ter contraído Covid-19, e foi atacado por senadores governistas antes de deixar a sala

O relator da CPI do Genocídio, Renan Calheiros (MDB-AL) afirmou na abertura da esvaziada sessão da comissão que não fará perguntas aos médicos infectologistas Ricardo Ariel Zimerman e Francisco Cardoso, convocados por pedido de senadores bolsonaristas para fazer a defesa do chamado tratamento precoce com o uso de cloroquina contra a Covid-19.

“Seu presidente jamais esperávamos chegar no Brasil a tamanha irresponsabilidade”, disse Renan, citando os quase 500 mil brasileiros mortos durante a pandemia. Ele deixou a sala, junto com senadores da oposição e independendentes.

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“Eu, sinceramente, em função desse escárnio, desse descaso, eu me recuso a fazer hoje, mesmo como relator dessa comissão, qualquer pergunta aos depoentes, com todo o respeito que lhes tenho”, disse o relator, ressaltando que “a CPI tem o papel de dissuadir práticas criminosas como essa do Presidente da República e ele continua a fazê-lo”.

Renan se rereferia à live da noite desta quinta-feira (17) em que Jair Bolsonaro disse estar “vacinado entre aspas”, pois “todos que contraíram o vírus estão vacinados, até mais eficaz que a vacina”. Nas redes, o relator já havia criticado a postura de Bolsonaro.

O senador governista Luiz Carlos Heinze reagiu dizendo que lamenta a atitude do relator. “Não quero lhe obrigar. Fazer dois pesos e duas medidas, quem questionar a quem o senhor quiser. Aqui tem cientistas, aqui tem médicos”, disse o bolsonarista causando tumulto na sessão, enquanto Renan deixava a sala. Apenas o presidente Omar Aziz (PSD-AM) e senadores bolsonaristas ficaram no depoimento dos médicos.

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Plinio Teodoro

Jornalista, editor de Política da Fórum, especialista em comunicação e relações humanas.

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