Ouça o Fórumcast, o podcast da Fórum
11 de novembro de 2019, 11h47

Renúncias: Casos de Bolívia, Chile e Brasil

Quem exigiu a renúncia do líder indígena não foi o povo e sim as Forças Armadas. Ao estilo Pinochet, mas sem bombardeio do palácio presidencial, para não dar na vista

Ato pede a renúncia de Piñera no Chile (Reprodução)

Desde a noite de domingo (10), com o golpe de Estado consumado na Bolívia, a grande preocupação da direita passou a ser a de estabelecer que o acontecido no país foi uma “renúncia” de Evo Morales e não um golpe de Estado.

Alguns mais cautelosos preferiram manter o silêncio sobre o que acontecia, mas os mais desavergonhados tentaram emplacar a teoria da absurda retórica de que “Evo renunciou por pressão do povo”, o que é tão coerente quanto a teoria da terra plana – o que talvez explique sua aceitação por parte de Ernesto Araújo, chanceler de Jair Bolsonaro.

Quem exigiu a renúncia do líder indígena não foi o povo e sim as Forças Armadas. Ao estilo Pinochet, mas sem bombardeio do palácio presidencial, para não dar na vista. Também ameaçaram o vice-presidente Álvaro García Linera, a presidenta do Senado, Adriana Salvatierra, e diversas outras autoridades que foram forçadas a renunciar para que os golpistas pudessem assumir o controle de tudo.

Não foi o povo, porque só a pressão popular não é capaz de derrubar um presidente, mesmo em tempos de comunicação massiva – ou talvez justamente por isso. Um exemplo disso é o Chile, onde existe sim um povo pedindo a renúncia do presidente Sebastián Piñera desde meados de outubro.

Mas Piñera não renuncia. E é óbvio que não o faça, já que conta com o apoio das Forças Armadas, dos Estados Unidos e dos “mercados”.

Durante três sextas-feiras seguidas, milhões de de chilenos foram às ruas gritando em alto e bom som: “RENUNCIA PIÑERA”.

No começo, o movimento era impulsado pelas injustiças do modelo econômico neoliberal. Agora, também é pelas violações sistemáticas aos direitos humanos.

No Brasil, nós também sabemos que essa teoria do povo fazer o presidente renunciar é balela. Durante dois anos, o grito mais escutado em todo o país foi o de “FORA TEMER”.

Não foi suficiente e o golpista transilvânico resistiu com a mesma fórmula usada atualmente pelo empresário-presidente chileno: com um forte apoio do poder militar e do poder econômico.

Não entender o real peso desses diferentes fatores sobre a decisão dos presidentes é renunciar ao bom senso.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

Notícias relacionadas


Quantas matérias por dia você lê da Fórum?

Você já pensou nisso? Em quantas vezes por dia você lê conteúdos esclarecedores, sérios, comprometidos com os interesses do povo e a soberania do Brasil e que têm a assinatura da Fórum? Pois então, que tal fazer parte do grupo que apoia este projeto? Que tal contribuir pra que ele fique cada vez maior. Bora lá. Apoie já.

Apoie a Fórum