sábado, 19 set 2020
Publicidade

Retorno da CPMF, planejado por Guedes, era negado por Bolsonaro durante a campanha

Com os planos do ministro da Economia Paulo Guedes de criar um imposto que incide sobre 0,20% do valor cobrado em débito e crédito financeiro e de 0,40% no saque e depósito em dinheiro, o governo Bolsonaro parece ressucitar a extinta CPMF. Esse retorno, depois de 12 anos de extinção, contraria declarações dadas pelo presidente durante as eleições, que garantiu que não haveria tal iniciativa.

Criada em 1997, a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) vigorou por 11 anos após uma grande campanha de setores da direita que se colocaram como contrários à extensão do imposto até 2011. Quando, durante as eleições, se falava que Bolsonaro e Paulo Guedes poderiam promover o retorno do imposto, o então candidato dizia tratar-se de fake news.

Ignorem essas notícias mal intencionadas dizendo que pretendermos recriar a CPMF. Não procede. Querem criar pânico pois estão em pânico com nossa chance de vitória. Ninguém aguenta mais impostos, temos consciência disso”, publicou Bolsonaro em 19 de setembro de 2018 em referência a uma matéria da Folha de São Paulo que dizia que a equipe de Bolsonaro iria trazer a CPMF de volta para substituir outros impostos indiretos. 

Quase um ano depois, os prognósticos se confirmaram, mas, para disfarçar a volta do imposto, o Ministério da Economia decidiu batizar a alíquota de ITF – Imposto sobre Transações Financeiras. Ela tem como objetivo substituir três impostos indiretos (IPI, PIS e Cofins).

A jornalista Rosane de Oliveira, da Rádio Gaúcha, resumiu a proposta da seguinte maneira: “Tem cara de CPMF, jeito de CPMF, peso de CPMF. Tudo o que na campanha o candidato Jair Bolsonaro jurou não fazer. Mas vai se chamar ITF, para que o leão pareça um gatinho”.

Enquanto era deputado federal, Bolsonaro sempre criticou o tributo – chamando de “desgraça” e “maldita” em 97 – e chegou a classificar como “cubanização” a tentativa de Dilma Rousseff de recriação do imposto. “Vamos partir para onde? Para a cubanização, como uma forma de salvar o País? Volta da CPMF; nova alíquota do Imposto de Renda; taxação de grandes fortunas. Um governo canalha, corrupto, imoral, ditatorial”, disse em 2014, como mostra levantamento do Estadão.

Reprodução/Twitter

 

Redação
Redação
Direto da Redação da Revista Fórum.