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31 de julho de 2018, 17h17

Roberto Carvalho: O voto nas próximas eleições significa o resgate do Brasil

Para o administrador, as próximas eleições são as mais importantes da história do Brasil. “A decisão não se limitará à escolha do próximo presidente da República, mas também como será o Brasil e a vida da maioria dos brasileiros”

Foto: Renato Cobucci/Prefeitura de BH

Roberto Carvalho*  

Os eleitores vão escolher, nas próximas eleições, em que tipo de país eles querem viver. A eleição do próximo presidente, dos governadores, senadores e deputados define os rumos do país e o nível de vida do seu povo. Os brasileiros decidirão se preferem um país soberano, capaz de disputar um lugar entre as grandes potências do planeta, garantindo dignidade, qualidade de vida e futuro para toda a população; ou aceitarão regredir ao estágio de uma semicolônia, onde a maioria do povo irá padecer o desemprego, o subemprego, o aumento da miséria e a permanente insegurança.

Nunca se decidiu tanto em uma única eleição.

Como o país aprendeu no golpe contra Dilma Rousseff, não basta conquistar a presidência para governar o Brasil. A experiência traumática ensinou que é fundamental alterar a correlação de forças nas instituições brasileiras, elevando a força do campo democrático, popular, soberano e desenvolvimentista.

Disputa pelo Congresso será decisiva para o futuro

A instituição chave neste momento da história é o Congresso Nacional, pois é lá que são feitas as leis e, de acordo com o modelo de democracia que a Constituição de 1988 definiu, a Câmara e o Senado concentram o verdadeiro poder no país. Os deputados federais e senadores explicitaram para o mundo, que eles podem cassar milhões de votos e tirar um presidente do poder pelos motivos mais fúteis.

Evidentemente há outros focos de poder, no STF, no Judiciário, nas Forças Armadas, nas corporações bancárias, empresariais etc. Entretanto, é no Congresso Nacional que se dá a verdadeira disputa pelo poder no Brasil.

Por isso, não basta a vitória de um presidente alinhado com o campo democrático, popular, soberano e desenvolvimentista; é também essencial disputar a hegemonia na Câmara Federal e no Senado da República. Sem maioria no Congresso, nenhum presidente consegue governar e estará sempre ameaçado por um impeachment frívolo.

A disputa pela hegemonia no Congresso Nacional, para facilitar a atuação de um governo progressista na presidência, é minha maior motivação na disputa de um mandato de deputado federal. É preciso resgatar o Brasil da destruição e cada voto nos deputados e senadores democratas e progressistas contribui para isso.

As eleições são o grande momento para derrotar o golpe e só assim o país será colocado novamente nos trilhos da justiça social, do desenvolvimento e da prosperidade para todos.

No entanto, há outras frentes essenciais de luta que me motivam a assumir a disputa por um mandato na Câmara Federal: a defesa do presidente Lula contra as absurdas injustiças que ele vem sofrendo, o presente e o futuro de Minas Gerais, especialmente Belo Horizonte, minha terra de adoção, e a Zona da Mata, onde nasci.

A defesa do presidente Lula se confunde com a própria luta contra o golpe e pelo resgate da democracia no Brasil. O grande movimento #LulaLivre reúne aqueles que combatem contra o desmonte do Brasil, a entrega de nossas riquezas, a abdicação da soberania e o desprezo com que é voltado para a maioria do nosso povo.

Defender Minas é preservar uma trincheira da democracia

Minas Gerais foi saqueado, destruído e inviabilizado pelos anos de governos aecistas. Depois da tragédia que foi Eduardo Azeredo, o saudoso presidente Itamar Franco, quando governador, saneou e reorganizou as finanças do estado, antes de entregar o governo para Aécio Neves.

Seguindo a tradição predadora dos tucanos, Aécio e Anastasia desarticularam o bom trabalho que Itamar havia feito.

Os integrantes da quadrilha aecista nunca tiveram espírito público. Governar, para o aecismo, é uma forma de desviar o erário público em direção aos bolsos dos “amigos”.

Dessa forma, os governos aecistas nunca se preocuparam com grandes projetos estruturantes para Minas Gerais. Eles jamais levaram em conta a qualidade de vida da população mineira. E desenvolvimento, para o aecismo, é uma piada.

Os governos aecistas, comandados por Aécio e Anastasia, se estruturaram unicamente em torno de artifícios vazios de marketing. “Choque de Gestão” ou “Déficit Zero” são apenas nomes bonitos, que serviram de nuvens de fumaça, para esconder uma gigantesca pilhagem dos recursos e riquezas de Minas Gerais.

O “Choque de Gestão” foi uma máquina concebida com o objetivo de transferir o patrimônio mineiro para os aecistas e seus financiadores. Um grande patrimônio do estado de Minas Gerais, estimado em bilhões de dólares, acabou entregue de maneira obscura a empresários ligados ao aecismo.

Exemplos disso são as ações da Cemig direcionadas para a Andrade Gutierrez, que mesmo sendo minoritária – porque pela lei, a venda de estatais mineiras deve ser aprovada pela Assembleia Legislativa – passou a ter o controle administrativo, financeiro e estratégico da companhia.

No caso da Copasa, os governos de Aécio e Anastasia deixaram de investir na empresa, o que paralisou inúmeras obras em cidades do interior, obrigando prefeituras a romper o contrato com a estatal, para buscar alternativas no mercado. Evidentemente, empresas ligadas ao esquema aecista substituíram a Copasa em vários desses municípios de Minas Gerais.

O “Déficit Zero”, por seu lado, chegou a ser ainda mais lesivo para o Estado. Trata-se de uma maquiagem das finanças mineiras, que durante os governos aecistas nunca atingiram o equilíbrio. Para operar essa maquiagem, Anastasia, o mentor intelectual da contabilidade criativa aecista, desfalcou e desviou recursos de áreas essenciais para o bem-estar dos mineiros, como saúde, educação e segurança pública.

Como o que é ruim ainda pode piorar, Anastasia utilizou a maquiagem nas contas públicas (uma superpedalada), para convencer bancos nacionais e internacionais a conceder financiamentos bilionários para o estado. O dinheiro dos empréstimos em moeda forte foi destinado a obras, que não trouxeram nenhum benefício para a população, como a Cidade Administrativa – um prédio longe de tudo utilizado para confinar funcionários públicos. Boa parte desses recursos, de acordo com a Polícia Federal, alimentou o caixa de construtoras amigas.

A Polícia Federal descobriu que uma bolada dessa dinheirama acabou em contas bancárias (situadas em paraísos fiscais), em nome dos cardeais aecistas, principalmente Aécio, sua família e Anastasia.

Essa operação quebrou Minas Gerais. Por excesso de elegância, o governador não denunciou imediatamente seus antecessores aecistas irresponsáveis.

Mesmo tendo herdado estado pilhado e falido, o governo Fernando Pimentel vem conseguindo conduzir o governo estadual, com equilíbrio e tranquilidade. O governador conseguiu manter Minas Gerais afastado do caos que penaliza outros estados, como Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Espirito Santo e São Paulo.

Em São Paulo a situação é trágica, o que é escondido pela mídia. O governo paulista não paga sua dívida com a União há nove meses, mas conta com a proteção de Temer. Além disso, como Alckmin não tomou providência – ao contrário do governo minero – os paulistas estão prestes a enfrentar uma nova crise hídrica, ainda mais séria.

Com o golpe, a situação não é fácil em lugar algum do Brasil, mas Minas Gerais segue em frente e como deputado federal, pretendo me empenhar, para vencer o cerco ao estado.

Fazer de BH uma cidade do mundo para Minas avançar ao futuro

Minha relação com Belo Horizonte é de muito afeto. Além disso, tive a honra de ter participado de um dos melhores momentos da história da cidade. Fui vereador e líder do governo do nosso saudoso prefeito Dr. Célio de Castro. Com isso mereci a confiança do Dr. Célio e do meu amigo Fernando Pimentel, para ser o articulador da chapa que se formou unindo esses dois políticos e administradores admiráveis.

Quando o prefeito Célio de Castro, que era conhecido carinhosamente pela população de Belo Horizonte como o Dr. BH, teve que se afastar, em função da sua doença, seu vice, Fernando Pimentel, era a escolha natural para a sucessão. Fui honrado com o convite para ser o coordenador da Campanha Pimentel Prefeito.

Como sua grande gentileza, Pimentel se referiu a mim em um almoço após a campanha vitoriosa, dizendo que “50% da minha eleição eu devo a esse meu irmão e amigo, Roberto Carvalho”.

Mais tarde fui indicado para ser vice-prefeito, representando o PT.

Ao longo desses anos tive a honra e o prazer de contribuir para melhorar a minha – nossa – cidade.

Alguns exemplos são:

  • A idealização, articulação e autoria da lei que criou o primeiro Centro de Especialidades Médicas (CEM) do Brasil, antigo Cardiominas, que atende hoje mais de 60 mil consultas por mês e serviu como modelo para o Governo Federal.
  • Readequação do trecho ferroviário Horto/General Carneiro, em Sabará, que eliminou a segregação de parte de BH e da região próxima a Sabará, que tinham dificuldade de acesso devido à ferrovia – a obra ainda evitou acidentes e mortes, causados por acidentes entre veículos, pedestres e trens.
  • Viabilização da Alça e trincheira da BR 356, ligando à MG 030, em Nova Lima, fundamental para a mobilidade no Vale do Sereno, Seis Pistas, Rio Acima e o Bairro Belvedere, de Belo Horizonte.
  • Criador do programa Pró-Cachaça, que elevou a cachaça artesanal de Minas Gerais ao status de bebida de qualidade, fazendo com que ela chegasse ao mercado nacional e mundial, gerando mais de 250 mil empregos diretos.
  • Idealizados do programa Bolsa Verde, a primeira iniciativa de compensação pela preservação de ecossistemas matas ciliares, que remunera economicamente o produtor rural, além de fornecer assessoramento técnico e insumos para a preservação, o que transforma o produtor rural em fornecedor de água.

Conhecendo bem a Grande BH, já esbocei ideias para o futuro. O maior problema da região é que a pauta administrativa e política se mantém a mesma há mais de 30 anos. O mundo muda em alta velocidade e a Região Metropolitana de Belo Horizonte está parada no tempo.

É preciso recuperar o tempo perdido. Belo Horizonte precisa se tornar uma cidade do mundo e tem tudo para isso. Esse movimento começou com Patrus e foi vigorosamente levado adiante pelo Dr. Célio e Pimentel, quando foram prefeitos. Infelizmente foi interrompido por Marcio Lacerda.

Patrus, Dr. Célio e Pimentel moveram um esforço determinado para modernizar a região, organizando o arcabouço legal, os marcos regulatórios e fizeram com um grande investimento na infraestrutura, principalmente tendo como alvo as populações mais carentes.

Os três prefeitos, no entanto, não se esqueceram das classes médias e dos empresários. Eles pretendiam estabelecer Belo Horizonte como uma das principais bases tecnológicas do mundo. Fernando Pimentel avançou nesse projeto, implantando os alicerces dos polos de Biotecnologia e a BHTec, que ele pretendia colocar em funcionamento como Governador do Estado, desencadeando a terceira onda de industrialização de Minas Gerais – depois de Juscelino Kubitscheck e Rondon Pacheco, que trouxa a Fiat.

Essas importantes iniciativas terão que ser resgatadas, assim como as grandes obras viárias para aumentar a competitividade de Belo Horizonte e desafogar o trânsito em toda a região. Os anéis rodoviários norte e sul dos contornos rodoviários da Grande BH são essenciais, porque a capital mineira é o maior entroncamento rodoviário do Brasil.

O Metrô também é uma luta prioritária dos mineiros, especialmente os que vivem na Grande BH. A obra foi iniciada há 20 anos e, até hoje, não chegou ao Barreiro, por inépcia e desinteresse dos aecistas no governo mineiro e no Congresso Federal.

Com Lula presidente, Pimentel governador, Dilma senadora e uma grande bancada mineira progressista em Brasília, o Metrô será um dos nossos objetivos principais.

A Zona da Mata vai recuperar seu lugar na história

O principal projeto para a Zona da Mata é movimentar as forças vivas, políticas e produtivas locais, para um grande movimento de renascimento econômico. A região já foi uma das mais ricas e prósperas do país, sendo responsável, no começo do século, pela produção de 30% do café nacional, que era o principal item da pauta de exportação do Brasil. Os empresários locais chegaram a esboçar um giro para a industrialização, mas o processo não foi concluído como ocorreu em São Paulo.

É possível recuperar o tempo perdido, depende das lideranças da região. Minha proposta é reunir a sociedade local em um Plano de Desenvolvimento Integrado da Zona da Mata. A região tem riquezas importantes; está situada em local estratégico; seus empresários e trabalhadores são competentes e experientes e a Zona da Mata conta com centros acadêmicos de ponta, como as universidades de Juiz de Fora e São João del Rei.

Unindo as lideranças de empresários, trabalhadores, políticos e outros setores, a Zona da Mata vai recuperar o tempo perdido e voltar ao trem da história.

Minas é uma das locomotivas do Brasil

Fernando Pimentel foi um dos melhores prefeitos da história de Belo Horizonte; Dilma Rousseff, por seu lado, provou ser ministra competente e presidente comprometida com o desenvolvimento, o emprego e a proteção a quem mais precisa. Com os dois mais e uma bancada progressista forte e comprometida com o estado, Minas Gerais poderá se transformar em um estado mais forte, solidário, justo, moderno, próspero e respeitado. Se depender do nosso trabalho, Minas Gerais vai ser uma das locomotivas do Brasil.

*Roberto Carvalho é administrador de empresas, funcionário de carreira do DER-MG, foi presidente do Sindicato dos Servidores do Estado de MG, vereador em BH, deputado estadual e vice-prefeito da capital mineira, nas gestões Fernando Pimentel e Márcio Lacerda.


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