O que o brasileiro pensa?
07 de fevereiro de 2020, 14h06

Rodrigo Bocardi diz que confundiu jovem negro com pegador de bolinha por causa de camiseta

A camiseta usada por Leonel - em tom de azul -, no entanto, é diferente da usada pelos garotos, feita em um azul mais escuro e com as mangas pretas. Jornalista da Globo disse ainda que "origem humilde" o impede de ter preconceito

Rodrigo Bocardi com pegadores de bolinhas no Clube Pinheiros (Reprodução)

O apresentador do Bom Dia São Paulo, da Rede Globo, Rodrigo Bocardi, foi às redes sociais na tarde desta sexta-feira (7) tentar explicar o vídeo em que ele pergunta para um rapaz negro, chamado Leonel, que disse estar esperando o trem para ir ao clube Pinheiros, se ele era catador de bolinhas de tênis no local. Bocardi, que joga tênis no clube da elite paulistana, diz ter confundido a camiseta de Leonel, que seria igual a de pegadores de bolinha.

Leia também: Rodrigo Bocardi pergunta a atleta negro de polo aquático se ele é “catador de bolinhas”

“Os jogadores de tênis não usam uniformes, mas os pegadores/rebatedores, sim: uma camiseta igual a do Leonel, com quem tive o prazer de conversar hoje. Ao vê-lo com a camiseta que vejo sempre, todos os dias, pegadores/rebatedores de todas as cores de pele, pensei que fosse um deles”, disse ele no Instragram, compartilhando um vídeo que fez com catadores de bolinha.

A camiseta usada por Leonel – em tom de azul -, no entanto, é diferente da usada pelos garotos, feita em um azul mais escuro e com as mangas pretas.

Bocardi diz que está “muito triste com a acusação de preconceito” por ser “de origem humilde” e anda mais de duas horas de ônibus todos os dias para ir e voltar do trabalho, na rede Globo.

“Comecei a vida como garoto pobre, contínuo, andando mais de duas horas de ônibus todos os dias para ir e voltar do trabalho e escola. Alguém como eu não pode ter preconceito. Eu não tenho, nunca tive, nunca terei. E condeno atitude assim todos os dias. Mas se ofendi pessoas que não conhecem esses meus argumentos e a minha história, peço desculpas”, escreveu o jornalista na rede social.

 

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Recuperei um trecho do #BDSP de uma outra sexta-feira, de um ano atrás, do dia 22/02/2019. E aproveito para fazer o esclarecimento abaixo: Muito triste a acusação de preconceito. Eu pratico tênis no Clube Pinheiros. Os jogadores de tênis não usam uniformes, mas os pegadores/rebatedores, sim: uma camiseta igual a do Leonel, com quem tive o prazer de conversar hoje. Ao vê-lo com a camiseta que vejo sempre, todos os dias, pegadores/rebatedores de todas as cores de pele, pensei que fosse um deles. Não frequento outras áreas do clube onde outros esportes são praticados. E não sabia que a camiseta era parecida. Se soubesse, teria perguntado em qual área ou esporte trabalhava ou treinava. Nunca escondi minha origem humilde. Comecei a vida como garoto pobre, contínuo, andando mais de duas horas de ônibus todos os dias para ir e voltar do trabalho e escola. Alguém como eu não pode ter preconceito. Eu não tenho, nunca tive, nunca terei. E condeno atitude assim todos os dias. Mas se ofendi pessoas que não conhecem esses meus argumentos e a minha história, peço desculpas. Não o chamei de pegador pela cor da pele ou pela presença num trem. Chamei-o por ver que vestia o uniforme que eu sempre vejo os pegadores usarem. Peço desculpas a todos e em especial ao Leonel. Obrigado.

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