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29 de março de 2018, 14h31

Safatle: “O pacto de normalidade política acabou. Vivemos uma fase cada vez mais explícita de guerra civil”

Em entrevista à Carta Capital, filósofo afirma que os ataques à caravana de Lula e o assassinato de Marielle Franco mostram que o país caminha para os extremos da radicalização política

Vladimir Safatle: “É importante para a esquerda se preparar para todas as situações possíveis. Toda vez que aconteceu um retorno autoritário, a esquerda sempre foi a última a abandonar a esperança no Estado Democrático de Direito” – Foto: Reprodução/GloboNews

Na opinião do filósofo Vladimir Safatle, o Brasil vive uma “fase cada vez mais explícita de guerra civil”. E justifica seu argumento com o assassinato da socióloga e vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) e os tiros desferidos contra os ônibus da caravana do ex-presidente Lula no Paraná. “O pacto de normalidade política acabou”, avalia Safatle, em entrevista à Carta Capital. De acordo com o filósofo, não se pode descartar uma guinada mais autoritária, clássica, por meio de um golpe militar. E alerta: “O campo progressista precisa estar preparado”.

Safatle ressalta que “o assassinato da Marielle Franco até agora não mereceu nenhum tipo de resposta da parte das autoridades. Não há nenhuma informação, mesmo depois da enorme comoção causada pela morte. Espanta ainda que Geraldo Alckmin, governador do maior estado do País, e outros ocupantes de mandatos naturalizem o atentado contra a caravana do Lula. Praticamente Alckmin disse que o ex-presidente fez por merecer, ignorando completamente a diferença entre a violência simbólica da política e a violência real do extermínio”.

Ele enfatiza que “não há solução no curto prazo. A sociedade brasileira caminha para os extremos da radicalização política. E não vejo outra saída. A questão é que até o momento só um dos extremos se organizou, o campo reacionário. O extremo progressista continua preso a uma certa crença de que existe um pacto de normalidade na vida política nacional. Esse pacto acabou. A política nacional não está em uma situação normal. É necessário levar isso em conta e estar preparado”, acrescenta.

E vai mais além: “É importante para a esquerda se preparar para todas as situações possíveis. Toda vez que aconteceu um retorno autoritário, a esquerda sempre foi a última a abandonar a esperança no Estado Democrático de Direito. Ficava esperando por algo que não existia mais, enquanto os reacionários organizavam a saída autoritária. É evidente que o fantasma paira no ar”.


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