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09 de fevereiro de 2020, 11h49

Saiba quem era Adriano da Nóbrega, o miliciano ligado a Flávio Bolsonaro morto na Bahia

Suspeito no assassinato de Marielle e Anderson, ex-PM era procurado há mais de um ano

Adriano Magalhães da Nóbrega - Foto: Reprodução

Adriano Magalhães da Nóbrega, morto na madrugada deste domingo (9) em troca de tiros com a polícia, é um dos personagens ocultos da tragédia brasileiro do último, ao menos, um ano e meio. Ligado a Flávio Bolsonaro, segundo investigações do Ministério Público, era amigo de Fabrício Queiroz, considerado o operador do então deputado estadual.

De acordo com o MP, contas bancárias controladas por Adriano foram usadas para abastecer Queiroz.

Foragido desde janeiro do ano passado, ele é apontado como chefe do grupo de matadores de aluguel, “Escritório do Crime”, milícia suspeita pela morte da vereadora do Rio Marielle Franco (PSOL) e seu motorista Anderson Gomes, assassinados em março de 2018.

Rachadinha

O Ministério Público do Rio concluiu, em dezembro do ano passado, que o Capitão Adriano, era beneficiado pelo dinheiro do suposto esquema de “rachadinha” que existia no gabinete do senador Flávio Bolsonaro quando ele era deputado estadual no Rio.

Os promotores chegaram a essa conclusão depois de analisar conversas via WhatsApp e dados de transações financeiras do ex-PM, segundo pedido do MP do Rio à Justiça para embasar mandados de busca e apreensão cumpridos na quarta, 18.

Família no gabinete

Adriano, sua esposa, Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega e também a sua mãe, Raimunda Veras Magalhães, trabalharam no gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). O então deputado estadual o homenageou, em 2005, com a Medalha Tiradentes, a mais alta honraria da casa.

Na época, Adriano estava preso sob acusação de homicídio.

Gordinho

Ele aparece nas escutas telefônicas do Ministério Público como “Capitão Adriano” ou “Gordinho”. É considerado por policiais e investigadores como um indivíduo violento. Ex-capitão da tropa de elite da PM, Adriano foi preso duas vezes suspeito de ligações com a máfia de caça-níqueis.

Em 2011, foi preso na Operação Tempestade no Deserto, que mirou a cúpula do jogo do bicho. Na época, a investigação apontou que ele era segurança de José Luiz de Barros Lopes, bicheiro conhecido como Zé Personal, morto no mesmo ano.

O MP diz ainda que o ex-capitão também era o responsável pela segurança da esposa de Zé Personal, Shanna Harrouche Garcia, filha do bicheiro Waldomir Paes Garcia, o Maninho, morto em 2004.

Escritório do Crime

O Escritório do Crime controlava a área da Muzema, onde dois prédios desabaram no ano passado. De acordo com o Ministério Público, o capitão Adriano dirigia o esquema de construção civil ilegal nessas comunidades. O major da Polícia Militar Ronald Alves Pereira por sua vez, foi denunciado por comandar negócios ilegais da milícia, entre eles, grilagem de terra e agiotagem.

Os desabamentos deixaram ao menos três mortes e dez feridos. Segundo a prefeitura do Rio, as construções eram irregulares e tiveram as obras interditadas em novembro de 2018.

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