Saída da Ford do Brasil choca meio político e gera cobranças ao governo

Na Bahia, o governador Rui Costa já estaria em contato com montadoras chinesas para assumir as fábricas da Ford

O governo do presidente Jair Bolsonaro, em especial a atuação do ministro da Economia, Paulo Guedes, virou algo de inúmeras críticas nesta segunda-feira (11) após o anúncio bombástico sobre a saída da montadora Ford do Brasil. A empresa estadunidense vai fechar todas as fábricas e encerrar a produção no país.

“[O fechamento da Ford] é o resultado da estupidez intelectual de [Paulo] Guedes e sua equipe, estagnados no ultrapassado receituário neoliberal da década de 70. Num cenário de depressão econômica, em vez de políticas anticíclicas, eles apostaram em mais arrocho e nenhum investimento”, criticou o deputado federal Jorge Solla (PT-BA). A Bahia é sede de uma das fábricas fechadas.

“Catalisaram ainda mais o ciclo vicioso de redução do consumo e, em consequência, redução da produção industrial. Indústrias fecham sem demanda, aumenta o desemprego e, em consequência, cai ainda mais o consumo de industrializados”, completou o deputado.

Segundo Solla, o governador Rui Costa (PT), está “buscando alternativas junto a montadoras chinesas” para tentar superar a situação que, segundo ele, “sangra a Bahia”. “São mais de 10 mil empregos diretos, a Ford representa 2% do PIB da Bahia, 1,7% da massa salarial do Estado e 10% da arrecadação de ICMS”, afirmou.

O ex-ministro Ciro Gomes, também subiu o tom contra o governo. “Que desastre, meu Deus do céu! A Ford anunciou que vai fechar todas as suas fábricas no Brasil. Com a saída de mais uma montadora, nosso país segue afundando no processo de desindustrialização. Bolsonaro vai liquidar nossa Nação! Congresso, cumpra seu dever: IMPEACHMENT JÁ!”, tuitou.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), também criticou o governo. “O fechamento da Ford é uma demonstração da falta de credibilidade do governo brasileiro, de regras claras, de segurança jurídica e de um sistema tributário racional. O sistema que temos se tornou um manicômio nos últimos anos, que tem impacto direto na produtividade das empresas”, afirmou.

“Espero que essa decisão da Ford alerte o Governo e o parlamento para que possamos avançar na modernização do Estado e na garantia da segurança jurídica para o capital privado no Brasil”, completou.

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), afirmou que a desindustrialização é um dos principais problemas do Brasil. “Precisamos de política industrial e de distribuição de renda para impulsionar nosso poderoso mercado interno, gerando demanda. O fechamento da Ford é mais uma ‘conquista’ desse período de trevas em que vivemos”, escreveu.

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“Não é notícia normal o fechamento de uma indústria como a Ford, há 100 anos no Brasil. Em dezembro foi a Mercedes. O mercado tem suas regras, mas certamente os fatos demonstram que faltam ao governo federal políticas industriais e de emprego competentes. Lamentável”, tuitou a senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA).

A deputada Sâmia Bonfim (PSOL-SP), líder do PSOL na Câmara, foi outra que reagiu: “O fracasso do neoliberalismo: Ford fechará suas fábricas no Brasil. As ‘soluções’ de Guedes e do mercado são um desastre. Mesmo com teto de gastos, ref. trabalhista e da previdência, o desemprego segue crescendo. Seguiremos lutando por uma economia a serviço da dignidade do povo!”.

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A Fórum entrou em contato com lideranças sindicais das fábricas fechadas para saber a situação dos trabalhadores, mas ainda não conseguiu retorno.

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Lucas Rocha

Lucas Rocha é formado em jornalismo pela Escola de Comunicação da UFRJ e cursa mestrado em Políticas Públicas na FLACSO Brasil. Carioca, apaixonado por carnaval e pela América Latina, é repórter da sucursal do Rio de Janeiro da Revista Fórum e apresentador do programa Fórum Global

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