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13 de julho de 2019, 11h01

“Saiu pela culatra”, diz Sérgio Amadeu sobre protestos contra Glenn Greenwald em Paraty

Sérgio Amadeu, que fazia parte da mesa, ressaltou que, no final, não apenas os manifestantes não conseguiram abafar a discussão, como também deram mais destaque para o debate

Foto: Reprodução

Na noite de sexta-feira (12), manifestantes pró-Lava Jato e apoiadores do ex-juiz Sérgio Moro tentaram interromper a palestra com o jornalista Glenn Greenwald, em Paraty, durante a Festa Literária Pirata de Editoras Independentes (Flipei), extensão da Flip.

No entanto, eles não conseguiram. Com som alto tocando remix do Hino Nacional e soltando rojões do outro lado do rio tentando atingir o barco “pirata” em que a mesa de debates acontecia, os manifestantes não conseguiram abafar a palestra ou espantar o gigantesco público que se reuniu para debater “Os desafios do jornalismo em tempos de Lava Jato”,

Greenwald participou da mesa que tinha o objetivo de discutir os desafios do jornalismo investigativo em tempos de bolsonarismo e o poder da informação, assim como o papel da Vaza Jato no cenário político atual. Junto ao jornalista, estavam Alceu Castilho (De Olho nos Ruralistas), Gregório Duvivier (Greg News), Sergio Amadeu (UFABC) e a mediadora Sabrina Fernandes.

Em entrevista à Fórum, Sergio Amadeu, O sociólogo e autor do livro “Democracia e os Códigos Invisíveis: como os algoritmos estão modulando comportamentos e escolhas políticas”, disse que “neofascistas ligados ao bolsonarismo” tentaram impedir o debate, mas eles eram poucos: “Eram poucas pessoas, violentas, agressivas… ficaram do outro lado do rio, atiravam rojões na platéia e no barco, mas não tinham alcance para isso. Não conseguiram abafar o debate.”

Amadeu também reforçou a importância de conversas sobre o jornalismo investigativo em um momento como o que estamos vivendo: “É importante o jornalismo investigativo nesse momento, onde há um autoritarismo gigantesco, onde as instituições estão corrompidas desde o golpe de 2016.”

“É curioso que uma matéria disse que os manifestantes ‘abafaram’ a palestra”, conta o professor universitário, reforçando o pequeno tamanho dos protestos em relação aos que defenderam Glenn Greenwald durante a palestra. “Eram 30 pessoas com som contratado, pago por não sabe quem, contra milhares de pessoas. Foram milhares de pessoas. Foi o maior evento da Flip, foi gigantesco. O debate acabou duas horas depois e não conseguiram abafar.”

No final, não apenas os manifestantes não conseguiram abafar a discussão, como também deram mais destaque para o debate: ”O bolsonarismo é contra o debate, contra a análise racional, feita com base em fatos. Eles tentam se impor na violência. Como éramos superiores numericamente, só restou pra eles ficar soltando rojão, mas isso fez com que o evento fosse o maior da Flipei e da Flip.”

“O tiro saiu pela culatra”, finalizou Sergio Amadeu sobre os manifestantes pró-Lava Jato que tentaram calar o debate com o jornalista Glenn Greenwald e sobre a importância do jornalismo investigativo na atualidade.


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