Ouça o Fórumcast, o podcast da Fórum
26 de agosto de 2019, 23h03

Salles defende desmatadores e diz que é preciso cumprir a lei “sem exageros”

Ministro do Meio Ambiente, em entrevista ao "Roda Viva", da TV Cultura, saiu em defesa dos proprietários de terra que não recebem autorização para desmatar

Reprodução/TV Cultura

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, insistiu, em entrevista ao “Roda Viva”, da TV Cultura, na noite desta segunda-feira (26), em sua retórica contra a “indústria da multa” em áreas de preservação ambiental e procurou, mais uma vez, se esquivar da responsabilidade pelo aumento exponencial das queimadas e do desmatamento na Floresta Amazônica.

“Não há nenhuma orientação para não fazer a fiscalização”, afirmou.

Logo no começo da entrevista, Salles saiu em defesa dos desmatadores. Com um discurso polido, o ministro do Meio Ambiente disse, em outras palavras, que o desmatamento ilegal não pode ser considerado como ilegal.

“O governo é contra o desmatamento ilegal. Nós precisamos, de fato, deixar isso claro. Talvez não tenha sido dito de forma mais explicita, então dizemos: somos contra. Mas é importante, por outro lado, colocar o que é atividade ilegal e atividade legal, e atividades que poderiam estar sendo feito de maneira legal e são colocadas na ilegalidade”, disse.

Leia também
Quem é Ricardo Salles, o ministro do Novo que está destruindo a Amazônia

E disparou: “Em muitos casos, há pedidos de supressão de vegetação para a pessoa poder usufruir de sua propriedade e essa autorização não vem. Aí acaba desmatando sem licença. Isso é diferente da ação ilegal”.

O ministro, na mesma entrevista, ainda minimizou a importância da legislação ambiental. “Que há questões de cunho ideológico, há em todos os lados. O caminho é cumprir a lei sem exageros”, afirmou.

Sobre as falas de Jair Bolsonaro classificando os dados do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe) sobre desmatamento como mentirosos, o que gerou a demissão do então diretor, Ricardo Galvão, Salles tergiversou, afirmando que a metodologia do instituto, na avaliação do governo, é incorreta.

“Os percentuais alardeados. Como foram divulgados, não encontram respaldo fático. Agora, a forma de falar, essa é uma outra discussão. Demonstramos que imputar um percentual de comparação mês a mês não é uma metodologia correta”, declarou.

Dia do Fogo 

Ricardo Salles, ao ser questionado sobre o porquê o governo não fez nada com relação aos alertas emitidos pelo Ministério Público sobre o chamado “Dia do Fogo” ao Ibama, disse que seu ministério cumpriu a sua parte e, indiretamente, responsabilizou o Ministério da Justiça, de Sérgio Moro, pela falta de ação.

O Dia do Fogo foi um evento marcado por pecuaristas do Pará, via Whatsapp, que tinha como objetivo promover incêndios florestais simultâneos, em diferentes regiões, no dia 10 de agosto. O ministério de Salles sabia que o evento criminoso aconteceria.

“O órgão federal foi informado. Agora, como faz para controlar isso em caráter preventivo? Fazendo o que o Ibama fez, comunicando as autoridades. E isso foi feito”, disse, completando ainda que as polícias estaduais e a Força Nacional, da alçada de Moro, foram acionados.

Culpa das ONGs 

Salles ainda tergiversou quando foi perguntado sobre a declaração de Bolsonaro, que sugeriu que ONGs ambientais seriam as responsáveis pelo aumento das queimadas na Floresta Amazônica.

Desafiado a falar sobre qual é o papel das ONGs nesses incêndios, o ministro deu uma volta e, sem responder a pergunta, ponderou: “A gente não pode imputar ao presidente esse rigor de saber tudo o que está falando. O presidente recebe uma enxurrada de informações”.

 

 


Quantas matérias por dia você lê da Fórum?

Você já pensou nisso? Em quantas vezes por dia você lê conteúdos esclarecedores, sérios, comprometidos com os interesses do povo e a soberania do Brasil e que têm a assinatura da Fórum? Pois então, que tal fazer parte do grupo que apoia este projeto? Que tal contribuir pra que ele fique cada vez maior. Bora lá. Apoie já.

Apoie a Fórum