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26 de agosto de 2019, 09h15

“Sempre trabalhei para evitar o impeachment”, diz Michel Temer

Em entrevista ao Valor, emedebista fala sobre sua prisão, o governo Bolsonaro e nega que tenha conspirado para o afastamento da ex-presidenta Dilma Rousseff

Foto: Arquivo/ Agência Brasil

Alçado à presidência depois de um golpe que decretou o impeachment de Dilma Rousseff (PT), Michel Temer (MDB) agora diz que não era favorável ao afastamento da ex-presidenta.

“Eu até torci, quando começou o impeachment da senhora ex-presidente, para que não acontecesse nada. Sempre trabalhei para evitar”, afirmou, em entrevista a Malu Delgado, para o Valor.

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Temer também abordou sua prisão, o governo de Jair Bolsonaro e defendeu a troca de regime no Brasil para o semipresidencialismo.

Veja abaixo alguns trechos da entrevista:

Questionado se considera o impeachment de Dilma um erro histórico, Temer disse:

“Eu até torci, quando começou o impeachment da senhora ex-presidente, para que não acontecesse nada. Sempre achei que o impedimento, embora previsto na Constituição, é traumático. Impeachment não é julgamento jurídico. No julgamento político o juiz não tem que se pautar por provas. É juízo político, de conveniência, não jurisdicional. Se você me disser: mas você se sentiu confortável? Aprendi muito cedo que você tem que exercer adequadamente o papel que a vida te entrega. Confesso que se pudesse ter evitado, eu evitaria. Opto hoje pelo semipresidencialismo para evitar o impeachment”.

Temer negou que tivesse conspirado pelo impeachment: “Conspiração alguma. Em uma certa ocasião eu até conversei com a ex-presidente, que pode testemunhar isso, dizendo que os pedidos de impedimento, e eu trabalhei nisso, seriam todos arquivados. Comuniquei isso a ela numa tarde no Palácio da Alvorada. Até disse: a senhora pode dormir tranquila. Depois, por eventos de natureza política, não foi possível evitar a deflagração do impedimento. Sempre trabalhei para evitar”.

Prisão

O emedebista também abordou sua prisão: “No plano pessoal, extremamente desagradável. No plano jurídico, foi marcado pelo absurdo. Neste caso não havia sequer processo formado. Já pedi aos senhores procuradores, que fizeram um alarde extraordinário com a prisão, que tenham a dignidade funcional – não digo nem pessoal – de dizer que se equivocaram. Não fizeram isso”.

Bolsonaro

Em relação à narrativa autoritária de Jair Bolsonaro, Temer defende o atual presidente: “Quem manda no Executivo, quem faz a agenda do país, é o Executivo. Isso está na Constituição. Ele não está dizendo que vai mandar no Legislativo e nem no Judiciário. Nem vai fazer lei nem vai fazer julgamentos. Cada um tem seu estilo. O dele é mais objetivo, mais direto. O meu era mais conciliador. No fundo ele poderia dizer: olha, com base na Constituição, quem determina as coisas no Executivo sou eu, não é o ministro, não é o diretor de departamento. Ele pode fazer isso. Temos que interpretar as palavras de Bolsonaro”.

Vaza Jato

Temer foi cauteloso ao ser perguntado sobre as denúncias da Vaza Jato: “Veja, preciso tomar cuidado aqui para não parecer que estou combatendo a Lava Jato. Ela visa apurar e combater a corrupção. Claro que eu sou a favor. Agora, é preciso cumprir o ritual processual constitucional. Os órgãos da Receita, todos eles, devem cumprir o que a Constituição estabelece”.

Semipresidencialismo

Temer propõe a mudança de regime no Brasil para o semipresidencialismo. “Eu, por exemplo, estou propondo muito uma espécie de semipresidencialismo, em que o presidente e o primeiro-ministro exercem as funções governativas. Por que digo isso? Eu exerci, durante meu governo, esse quase semipresidencialismo. Chamei o Congresso para governar comigo, e deu resultado. Isso evita grandes traumas institucionais”.

Democracia

“Sou contra qualquer rotulação. Liberalismo, socialismo. O que interessa é o resultado. O povo quer é resultado. Lamento dizer: se você está num sistema autoritário que dê pão à mesa de todos os brasileiros… você quer resultados”, destacou.


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