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13 de fevereiro de 2019, 09h01

“Só vimos na ditadura”, diz dom Evaristo Spengler sobre espionagem de católicos

“Isso é uma fantasia para justificar a exploração predatória da floresta. Estamos no tempo das fake news”, disse o bispo sobre as acusações de Bolsonaro de que ONGs atentam contra a soberania nacional e planejam a “internacionalização” da Amazônia

Dom Evaristo Spengler em encontro com o Papa Francisco e General Heleno (Reprodução/Agência Brasil)

O bispo de Marajó (PA), dom Evaristo Pascol Spengler fez duras críticas à espionagem do governo Jair Bolsonaro (PSL), via Agência Brasileira de Informação (Abin), sobre os movimentos da igreja Católica na região amazônica.

“Isso é um retrocesso que só vimos na ditadura militar”, disse o bispo ao jornalista Bernardo Mello Franco, na edição desta quarta-feira (13), do jornal O Globo.

Dom Evaristo disse que suspeitou da presença de arapongas na assembleia realizada em Marabá (PA) e afirma que o Sínodo da Amazônia foi anunciado pelo Papa Francisco em 2017, bem antes da eleição de Bolsonaro.

“Isso é uma fantasia para justificar a exploração predatória da floresta. Estamos no tempo das fake news”, disse o bispo, sobre as acusações de Bolsonaro de que organizações não governamentais atentam contra a soberania nacional e planejam a “internacionalização” da Amazônia.

Arapongagem
A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) tem enviado “alertas” ao governo Bolsonaro sobre supostas articulações entre cardeais brasileiros e o Vaticano no sentido de discutir uma “agenda progressista”.

“Estamos preocupados e queremos neutralizar isso aí”, disse o ministro chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno.

Para a GSI, são “alarmantes” os recentes encontros de cardeais brasileiras com o papa, no Vaticano, para discutir a realização do Sínodo sobre a Amazônia, que reunirá, em Roma, bispos de todos os continentes. O intuito do encontro é debater temas como a questão climática, indígena e quilombola, o que representaria uma ameaça ao governo de Bolsonaro, que enxerga a igreja católica brasileira como um braço do PT.

“A questão vai ser objeto de estudo cuidadoso pelo GSI. Vamos entrar a fundo nisso”, disse Heleno, que comanda a “contraofensiva”.

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