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17 de outubro de 2018, 20h42

Sobrevivente da ditadura e da tortura, Amelinha Teles diz que é preciso resistir ao fascismo

“Não ter medo de uma situação dessa é ser alienado. Mas que a gente enfrente o medo com altivez e dignidade", afirmou militante dos direitos humanos

Foto: Reprodução/Facebook

“Não ter medo de uma situação dessa é ser alienado. Mas que a gente enfrente o medo com altivez e dignidade. Nós, que queremos justiça, liberdade, igualdade e democracia, vamos resistir o tempo todo”. É esse o recado que a militante dos direitos humanos Amelinha Teles quer passar para os jovens que estão temerosos com o que pode acontecer após uma possível vitória do candidato Jair Bolsonaro (PSL).

Candidato esse que homenageou o torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra durante a votação do impeachment da presidenta Dilma Rousseff (PT) em 2016. Ustra foi o maior e mais cruel torturador que o Brasil teve e foi ele que torturou Amelinha nos anos 70 e depois levou seus filhos para verem a situação em que a mãe tinha ficado, após ser brutalmente violentada.

Segundo ela, a situação de medo que vemos hoje foi desenhada há muito tempo no Brasil e foi tomando força a partir de 2016. “Existe uma falha em nós, que somos da luta pela defesa da democracia, dos diretos humanos, no sentido de não perceber. Isso vem de um tempo. O próprio golpe foi dado ali, quando se vai ter um impeachment e o deputado, que hoje é candidato, fala em memória de Ustra”, afirma Amelinha.

“Não teve uma resposta à altura e ali já foi um golpe feio”, destaca, lembrando que o avanço do fascismo no País veio se estendendo durante o governo de Michel Temer (MDB), com o congelamento de políticas sociais, desemprego e redução de direitos. “É um horror tudo isso”, lamenta. De acordo com ela, estamos vivendo uma situação “muito perigosa” no Brasil, mas é preciso que as forças democráticas se unam para reagir.

Amelinha ressalta que, se Bolsonaro ganhar, será uma situação “muito difícil” para a nação. Porém, ela afirma que não se pode ter medo das derrotas. “A gente tem que enfrentar, recuperar e reconquistar. Eu tenho a minha tranquilidade por conta disso. Desejar a democracia, que as pessoas sejam livres e que possam expressar suas ideias é bom pra todo mundo. Isso não é crime”, constata.

“Por isso, eu não perco a esperança, a vontade de ver esse mundo transformado. Eu acredito na solidariedade das pessoas. Temos que estar juntas, trocar ideias e se preocupar mais umas com as outras. Isso é fundamental”, relata Amelinha. Por conta disso, ela participou do programa eleitoral do petista: “Hoje, para contrapor o fascismo, é o Haddad 13”, afirmou, em entrevista à Fórum.

“Eu quero um Brasil democrático. Eu tenho certeza que o Haddad tem o mesmo posicionamento que eu. Eu quero uma pessoa que dialogue e ele sabe conversar. Por isso, eu quero o Haddad. Eu não quero uma pessoa que estimule o tempo todo a política do ódio. Isso não vai ajudar a sociedade”, pondera Amelinha, recordando que o Brasil já tem grandes números de violência e que aumentar esses índices não será bom para ninguém.

Segundo ela, a grande violência que vemos hoje no Brasil faz parte de um “estado de terror” que foi instaurado durante a ditadura e que ainda não foi resolvido. “Não passou. Estamos vivendo uma violência permanente, disseminada por todo o território nacional, que tem a ver com a violência praticada na ditadura e que nunca foi devidamente apurada e responsabilizada. Não é a mim, nem à minha família, vítimas diretas, que isso afeta. Estamos falando de toda uma sociedade”, constata.

Amelinha acredita que, apesar das grandes semelhanças com o golpe de 1964, o fascismo de hoje em dia tem suas diferenças. Uma delas são as fake news: “Naquela época existiam, mas não tinham a divulgação que têm hoje. Quando você vai responder uma, já vieram mais não sei quantas. Aí você nunca consegue resolver”, afirma.

Mesmo acreditando que hoje existe muita polarização, o que dificulta o diálogo político, Amelinha diz acreditar no “bom senso” dos eleitores para que não votem em Bolsonaro. “Naquela época, a gente não estaria conversando assim como estamos agora”, finaliza.


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