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14 de maio de 2019, 09h15

Sócio da Gol revela em delação premiada repasses ilícitos a Rodrigo Maia entre outros políticos

O empresário revelou que usava termos como ‘passageiros’, ‘reservas’, ‘localizador’, ‘bilhetes’, ‘taxa de câmbio’ para conversar sobre pagamentos de propina com o operador financeiro Lúcio Funaro

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil e YouTube

O empresário Henrique Constantino, sócio da companhia aérea Gol, relatou, em acordo de delação premiada, pagamentos de propina a operadores e políticos do MDB, entre eles o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o ex-deputado Eduardo Cunha (MDB-RJ) e o ex-ministro Geddel Vieira Lima (MDB-BA), para obter recursos da Caixa Econômica Federal e do fundo de investimentos do FGTS, gerido pelo banco.

O acordo de delação premiada, revelado pelo jornal O Globo nesta segunda-feira (13), entre o empresário e o Ministério Público Federal, foi homologado pelo juiz Vallisney Oliveira, da 10ª Vara Federal em Brasília.

Constantino foi denunciado à Justiça Federal em Brasília em outubro passado sob acusação de pagar R$ 7 milhões de propina em troca de financiamento de R$ 300 milhões para a Via Rondon Concessionária, do Grupo BR Vias, e de mais R$ 50 milhões para a Oeste Sul Empreendimentos Imobiliários S.A.

O empresário disse ter feito repasses ilícitos por meio de contratos fictícios com empresas do operador Lúcio Funaro, que também é delator.

O empresário revelou que usava expressões relacionadas a passagens aéreas para conversar sobre pagamentos de propina com o operador financeiro Lúcio Funaro. Constantino entregou cópias de mensagens trocadas via celular com Funaro, em material de sua delação obtido pelo GLOBO.

Foto: Reprodução

As expressões eram usadas para definir quais seriam as empresas de fachada de Funaro que receberiam os pagamentos de propina de Constantino, destinados ao grupo político do MDB.

“Outras vezes, eu mesmo fui questionado por Lúcio Funaro sobre os pagamentos, como pode ser comprovado pela troca de mensagens abaixo, na qual utilizamos termos como ‘passageiros’, ‘reservas’, ‘localizador’, ‘bilhetes’, ‘taxa de câmbio’ etc., como metáforas aos nomes das empresas que eram utilizadas à emissão de NF’s (notas fiscais) e aos pagamentos efetivos”, descreve Constantino em um dos anexos de sua delação.

Em mensagem de 1º de agosto de 2013, o empresário pede para Funaro:

“Você pode me mandar os dados da pessoa para a reserva da poltrona? Favor mandar para mim na Funchal. Abs.”

No dia seguinte, Funaro lhe envia os dados e manda uma mensagem para confirmar:

“Recebeu a lista com o nome dos passageiros que te mandei?”

Constantino dá uma resposta positiva:

“Recebi. Assim que concluir as reservas, te passo o localizador e a taxa de câmbio. Abs.”

Maia, que está em Nova York nesta segunda-feira (13), afirmou que não conhece nem nunca esteve com o delator. “[Constantino] Nunca me pagou nada, isso é mentira dele, não tem como provar e vai ser mais um inquérito arquivado na Justiça brasileira”, disse o presidente da Câmara.

Com informações da Folha e do Globo


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