Seja #sóciofórum. Clique aqui e saiba como
04 de junho de 2019, 06h35

Tarso Genro compara situação do Brasil com o contexto da ascensão do nazismo

De acordo com o ex-ministro, desemprego, falta de organização social e ataques às universidades foram características que permitiram a ascensão do nazismo na Alemanha e que podem ser observadas no Brasil atual; "Intelectualidade de segunda categoria é representada pelo governo"

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Ex-ministro da Educação, da Justiça e das Relações Internacionais em governos petistas, Tarso Genro fez uma análise de conjuntura política e falou sobre a crise no Ministério da Educação do governo de Jair Bolsonaro em entrevista ao programa Fórum 21 na noite desta segunda-feira (3).

Para Tarso, que também foi governador do Rio Grande do Sul, “não há precedente na história do país de um ministro que tenha o porte e a tipicidade” de Abraham Weintraub.

“É um ministro contra a educação pública, não tem concepção qualquer de projeto educacional, é hostil à academia, não respeita a pluralidade, cria factóides e não tem nada a dizer para o país a respeito da educação”, afirmou.

Classificando a atual gestão do MEC como uma “tragédia”, o ex-ministro ainda comparou a situação atual do Brasil com aquela que permitiu a ascensão do nazismo na Alemanha.

“As condições que permitiram a ascensão do nazismo, que permitiram a intervenção radical dentro da universidade, existiam em condições muito parecidas com essa que vemos no Brasil hoje. Aceleração do desemprego, base social fragmentada e não organizada em torno das estruturas de representação. Enquadraram [na Alemanha] as universidades através, inclusive, da força material, através das milícias que entravam nas organizações e batiam em todo mundo e impunham suas convicções fascistas”, disse.

“Há uma parte da intelectualidade brasileira que transitou pela intelectualidade de segunda categoria, que não tem formação iluminista, que despreza a Revolução Francesa, a conquista das mulheres, os direitos das minorias. Mas é uma intelectualidade que existe, então vai ser uma luta política difícil porque esse grupo que está representado pelo governo Bolsonaro”, completou o ex-governador.

Na entrevista, Tarso ainda falou, entre outros assuntos, sobre a proposta do homeschooling, que institui o ensino escolar doméstico, que tramita no Congresso, e sobre pautas ligadas à pasta da Justiça, como a nova Política Nacional de Drogas do governo que impõe a internação compulsória a dependentes químicos.

Assista a íntegra.


Quantas matérias por dia você lê da Fórum?

Você já pensou nisso? Em quantas vezes por dia você lê conteúdos esclarecedores, sérios, comprometidos com os interesses do povo e a soberania do Brasil e que têm a assinatura da Fórum? Pois então, que tal fazer parte do grupo que apoia este projeto? Que tal contribuir pra que ele fique cada vez maior. Bora lá. Apoie já.

Apoie a Fórum