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04 de junho de 2019, 21h27

“Tenho uma missão de Deus e foi um milagre ser eleito”, diz Bolsonaro a jornal argentino

"A primeira vez que fui chamado de misógino, eu não sabia o que era, tive que entrar no Google e descobrir que é alguém que não gosta de mulheres. Agora então sou gay!"

Em entrevista ao jornal argentino La Nación publicada na última sexta-feira (1º), o presidente Jair Bolsonaro afirma ter recebido uma missão divina ao sobreviver à facada durante sua campanha, em 2018. “Foi um milagre eu ter ganhado as eleições, e Deus tem ajudado muito na eleição de meus ministros.”

A edição aponta que apesar de ter anunciado em seu discurso de posse em 1º de janeiro que faria um governo que unisse todos os brasileiros, nos cinco meses seguintes Bolsonaro tem operado no “modo de campanha”, com ataques quase diários contra políticos da esquerda e do PT; ofensas à “velha política”; críticas à imprensa e crescentes controvérsias sociais para impor uma agenda de valores conservadores que começaram a afastar os empresários e seus eleitores mais moderados.

– Grande parte da imprensa brasileira conta mentiras sobre mim, depois dizem que recuei? Durante a campanha, me chamaram de racista, fascista, homofóbico, misógino? A primeira vez que fui chamado de misógino, eu não sabia o que era, tive que entrar no Google e descobrir que é alguém que não gosta de mulheres. Agora então sou gay!

O presidente criticou também os institutos de pesquisa, que apontam queda na sua popularidade, quando questionado sobre possíveis erros cometidos pelo governo.

 – Ninguém acredita nas pesquisas no Brasil. Se você fosse comigo para as ruas, veria que é diferente. Posso enviar vídeos para você no WhatsApp. Não estou preocupado em ser bom, eu quero alcançar meu objetivo, cumprir minha missão.

Perguntado sobre a divisão entre militares e olavistas dentro do próprio governo, Bolsonaro respondeu:

– Os militares fazem parte do meu círculo de amigos, depois de passar 15 anos no exército. É lógico trazer pessoas que tenham um pensamento semelhante ao meu. Lula e Dilma trouxeram terroristas e ladrões para cá e ninguém disse nada. Sobre Olavo de Carvalho, agradeço-lhe que muitas pessoas abriram suas cabeças para a realidade por causa dele, porque o socialismo não funcionou em nenhum lugar do mundo. Ele joga duro e pode fazê-lo com quem ele quiser. Faz parte da liberdade de expressão. No passado, a esquerda buscava um contrato social com a mídia porque sabia que dominá-la é mais fácil de governar, instalar fake news e grande parte da imprensa brasileira estava contaminada.

Corrupção, milícias e relações externas
O presidente também comentou a atuação de milícias e a acusação de seu filho, Flávio Bolsonaro, com os grupos criminosos.

– A imprensa diz que um dos meus filhos, de 21 anos, saiu com a filha do acusado do assassinato da Marielle. Perguntei-lhe se ele a conhecia, mas ele me disse que saiu com tantas garotas no condomínio que não sabia quem era. No meu condomínio na Barra da Tijuca [no Rio] existem 150 casas. É raro que exista um condomínio na Barra que não tenha alguém envolvido na operação Lava Jato. Quando milícias começaram a aparecer no Rio de Janeiro tinha o apoio popular porque moralizavam da região. Depois que prejudicou, com a venda de serviços de TV a cabo, gás.

O repórter lembrou quando Bolsonaro disse que a ditadura militar brasileira havia matado pouco, que deveriam ter matado 30.000 pessoas. Armendáriz afirma que este número é muito relevante na Argentina, e pergunta se isso teria trazido algum benefício ao país vizinho, cuja ditadura foi a mais violenta do continente em número de mortos e desaparecidos.

 – Tivemos a Operação Condor entre vários países e os militares daquela época impediram que o país caísse no comunismo, foi o que aconteceu. Quantas pessoas morreram ou desapareceram e por que razões? Deixe cada país escrever sua história. Se o PT quisesse a verdade, a primeira coisa que precisaria ser esclarecida seria o sequestro, a tortura e a execução, em 2002, do prefeito petista Celso Daniel, que estava prestes a divulgar informações que acabariam com a campanha Lula.

O presidente criticou também a mediação feita pela Noruega na tentativa de resolver a crise social e política pela qual passa a Venezuela. Para ele, Maduro é apenas um fantoche de seus generais, que se tornaram “narcotraficantes aliados a cubanos, o Hezbollah, milícias e coletivos”:

 – No Brasil, a esquerda tentou, mas não conseguiu, apesar de todas as medidas tomadas contra nós. Nem mesmo com a mentirosa Comissão Nacional da Verdade, que contou histórias totalmente diferentes das que ocorreram naquele período de 1964-1985. [A Venezuela pode] transformar-se em uma Coreia do Norte sem bomba atômica; os russos também participam porque há petróleo e ouro.

Perguntado sobre a escolha de Cristina Kirchner de ser candidata à vice-presidência, o que surpreendeu analistas, Bolsonaro optou por não mencionar o nome do atual candidato do peronista Unidad Ciudadana, Alberto Fernandez:

 –  Aí entramos em uma questão quase espiritual: o papa pode ser argentino, mas Deus é brasileiro. Fazemos votos para que o povo argentino escolha um candidato de centro-direita, como o Brasil. Cristina Kirchner foi muito aliada de Lula e Dilma. Espero que o povo argentino reflita muito sobre isso nas eleições. Eles vão mostrar se as pessoas amam sua liberdade ou não.


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