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11 de julho de 2019, 10h15

The Guardian: Nova geração de exilados políticos deixa o Brasil de Bolsonaro ‘para se manter vivo’

Jornal britânico ouviu Jean Wyllys, Márcia Tiburi, Débora Diniz e Anderson França, recordou perseguição na ditadura militar, que o atual presidente exalta, e traçou um perfil desse novo exílio, marcado por ameças de milícias, da extrema direita, e de fóruns da deep web que propagam ódio contra minorias

Jean Wyllys, Márcia Tiburi, Débora Diniz e Anderson França (Montagem)

Em reportagem publicada nesta quinta-feira (11), o jornal britânico The Guardian fala sobre os “exilados” políticos do governo Jair Bolsonaro com entrevistas de Jean Wyllys, Márcia Tiburi, Anderson França e Débora Diniz.

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O periódico recordou dos exílios provocados pela perseguição na ditadura militar, que o atual presidente exalta, e traçou um perfil desse novo exílio, marcado por ameças de milícias, da extrema direita, e de fóruns da deep web que propagam ódio contra minorias.

Wyllys, que renunciou ao posto de deputado federal devido a frequentes ameaças que recebia enquanto integrava a Câmara, destacou que “deixou o Brasil para se manter vivo”. “Mesmo com escolta policial, as pessoas me ameaçavam abertamente. Eles claramente diziam que eu iria morrer quando o Bolsonaro virasse presidente”, disse o ex-parlamentar.

Já Tiburi, que deixou o país após receber informações de que a milícia a estava acompanhando, destacou que “há uma caça às bruxas no Brasil” e que “continua escrevendo livros e fazendo pesquisa” fora do país. O jornal destacou a relação dos milicianos com a família Bolsonaro e também a atuação dos paramilitares na morte da vereadora Marielle Franco, em março de 2018.

“Eu não queria sair. Foi uma fuga. Pessoas como eu não estão a salvo no Brasil de hoje”, foi o que declarou Anderon França ao jornal. O escritor, que ganhou fama no Facebook, se mudou para Portugal logo que Bolsonaro foi eleito em razão de frequentes ameças racistas que recebia. Em 2017, França foi forçado a cancelar participação na Flip por ameaça de morte.

Debora Diniz, a primeira do grupo a sair do Brasil, teve que deixar o país após ameaças que envolviam até mesmo seus alunos na Universidade de Brasília pela sua militância em defesa da descriminalização do aborto até 12 semanas. Logo após audiência no STF sobre o tema, partiu para os EUA, onde atua como pesquisadora visitante na Universidade Brown. “Deixar o Brasil teve um impacto tremendo. É uma experiência horrível”, declarou.

O Guardian ainda destacou a força de fóruns de “alt-right”, ou neo-nazistas, que debatem sobre temas como pedofilia, estupro e assassinato de mulheres, estupro corretivo à lésbicas, planos de massacre em escolas e dicas de suicídio. O site, segundo o jornal, agora se encontra fora do ar, mas está sempre mudando de nome e se readaptando na deep web. Wyllys, França e Diniz afirmam ter sido vítimas de ataques desse canal.


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