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01 de março de 2019, 09h27

The Intercept: Ex-assessora de Bolsonaro, Nathália Queiroz nunca pisou na Câmara

Assessora de Jair Bolsonaro (PSL) entre dezembro de 2016 e 15 de outubro de 2018, com salário de R$ 10.088,42, a personal trainer Nathália Queiroz pode nunca ter pisado na Câmara dos Deputados, onde estava lotada, segundo documentos obtidos pela repórter Amanda Audi, do site The Intercept Brasil, revelados nesta sexta-feira (1º)

Bolsonaro e a ex-assessora, Nathalia Queiroz (Montagem/PR/Reprodução)

Assessora de Jair Bolsonaro (PSL) entre dezembro de 2016 e 15 de outubro de 2018, com salário de R$ 10.088,42, a personal trainer Nathália Queiroz pode nunca ter pisado na Câmara dos Deputados, onde estava lotada, segundo documentos obtidos pela repórter Amanda Audi, do site The Intercept Brasil, revelados nesta sexta-feira (1º).

Leia também: Por escrito, Queiroz diz que gerenciava salários do gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj

Segundo a reportagem, que obteve os documentos via Lei de Acesso à Informação, Nathalia jamais teve um crachá funcional após consulta ao banco de dados da Polícia Legislativa, responsável por confeccionar as peças. O nome dela tampouco consta do Sistema de Identificação de Visitantes, que registra entrada e saída de quem não trabalha no Poder Legislativo mas faz visitas esporádicas.

Filha de Fabrício de Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro (PSL/RJ), Nathália é citada no relatório do Coaf que identificou as movimentações suspeitas na conta de seu pai.

Investigação
Procurador da República do Distrito Federal, Carlos Henrique Martins Lima encaminhou à Procuradora-Geral da República, Raquel Dodge uma representação pedindo a investigação sobre a nomeação de Nathália por Bolsonaro, por suposto crime de peculato e improbidade administrativa.

O objeto da representação é justamente a suspeita de que a personal trainer, que dava aulas para famosos no Rio no mesmo período em que deveria estar trabalhando no gabinete em Brasília, seria funcionária fantasma do então deputado federal.

No despacho, o procurador defende que, apesar de a Constituição garantir a imunidade presidencial, isto é, que ele não pode responder por atos praticados antes de assumir o mandato, nada impede que ele seja investigado sobre eventuais práticas ilícitas.

“Tem-se, portanto, que nada impede que o Presidente da República seja investigado e responsabilizado na esfera cível e, na esfera penal, veja a investigação por tais atos ter regular andamento, entendimento partilhado pela atual Procuradora-Geral da República. A imunidade restringe-se à ação penal e respectiva responsabilização por atos estranhos ao seu exercício, no curso do mandato. Assim, embora a sua condição de mandatário não impeça a investigação ou mesmo a sua responsabilização por improbidade administrativa, no caso em tela, recomendável o encaminhamento da presente notícia à Procuradoria-Geral da República”, afirmou.

Leia a reportagem completa no The Intercept.

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