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31 de agosto de 2019, 23h08

Toffoli passa pano para Lava Jato no JN, da Globo, e defende judiciário

“No desempenho do exercício da presidência do STF e CNJ muitas vezes temos que falar aquilo que talvez não seja a nossa opinião, que não seja aquilo que nós pensamos”, declarou o ministro

Foto: Divulgação/AASP

Durante encontro da Associação dos Advogados do Estado de São Paulo, em Campos do Jordão (SP), o presidente do Supremo Tribuna Federal (STF), Dias Toffoli, fez uma dura defesa do judiciário e, por tabela, justificou ações arbitrárias da Operação Lava Jato.

O Jornal Nacional, da Rede Globo, na edição deste sábado (31), deu amplo espaço ao discurso do ministro. Como se algo já tivesse sido combinado antes.

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Toffoli admitiu que, muitas vezes, é obrigado a falar contra sua própria opinião e tentou se eximir de responsabilidade em casos de injustiças cometidas pelo judiciário: “No desempenho do exercício da presidência do STF e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) muitas vezes temos que falar aquilo que talvez não seja a nossa opinião, que não seja aquilo que nós pensamos, mas temos que defender na presidência. Por outro lado, também temos que nos calar, mesmo que quiséssemos falar certas coisas”, disse.

Toffoli defendeu a importância das várias esferas da Justiça para o Estado democrático: “Posso até discutir se as decisões não estão exageradas aqui, acolá, mas colocar a Justiça do Trabalho em xeque, colocar o judiciário, como um todo, em xeque, nós não podemos fazer. E tudo começa assim: vamos começar extinguindo o Ministério Público do Trabalho, para que ele serve? Depois de amanhã todo o Ministério Público. Eu posso discutir os exageros do Ministério Público feitos por alguns, mas não há dúvida que a Instituição Ministério Público é essencial no funcionamento de um Estado Democrático de Direito, como é a advocacia”.

O presidente do STF ainda disse que a Corte atua como árbitro, independentemente das paixões políticas, o que nem sempre acontece.

“Qual é o grande papel do judiciário hoje? Que é aqui que está a questão que pode levar a uma deslegitimação e uma desconfiança da sociedade para o judiciário. Nós existimos para garantir, obviamente, numa função política de Supremo Tribunal Federal, como poder moderador, arbitragem dos conflitos entre os poderes, no pacto federativo. Mas para o cidadão isso tudo é muito difícil de ser compreendido”, disse.

Os dois lados

“Se ele estava defendendo o Lula, ele acha que o Supremo errou em não dar o habeas corpus, e começa a reclamar, né? Se consegue o habeas corpus, a turma de alguém que havia sido condenado na Lava Jato passa a dizer que o Supremo está errado, e aí a gente acaba chegando a quase 100% de contrariedade. Nós estamos falando dos dois lados que disputaram o segundo turno da presidência da República, os dois pensamentos, que disputaram e chegaram com mais da metade”, analisou.


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