sexta-feira, 25 set 2020
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TRF-4 recebe conselheiro da embaixada dos EUA e prega “maior integração e articulação”

O presidente do TRF-4, desembargador federal Victor Luiz dos Santos Laus, recebeu nesta terça-feira (3) o conselheiro para Assuntos Políticos da Embaixada dos EUA em Brasília, Willard Smith, para uma conversa sobre o Poder Judiciário brasileiro. O tribunal foi responsável pelas duas condenações em segunda instância do ex-presidente Lula – no caso do Triplex e no do Sítio de Atibaia.

Segundo nota publicada pela assessoria do TRF-4, o encontro aconteceu pela manhã no gabinete da presidência e envolveu também o juiz federal auxiliar da Presidência do tribunal, Oscar Valente Cardoso. A relação do chamado “plea bargain” estadunidense com o a delação premiada foi um dos assuntos da conversa que abordou a operação Lava Jato e as funções do tribunal. Há menos de uma semana, os desembargadores deste tribunal confirmaram condenação de Lula na Lava Jato e ampliaram a pena determinada.

Laus pregou também uma maior integração entre a corte e a Embaixada dos EUA. “O presidente do TRF4 destacou a importância de órgãos como a Embaixada norte-americana se aproximarem da Justiça e dos tribunais, pois isso possibilita uma maior integração e articulação entre as instituições”, diz nota da assessoria.

Lawfare

A defesa do ex-presidente Lula já denunciou diversas vezes o uso da tática de “guerra júridica”, conhecida como lawfare, nos processos do ex-mandatário, e apontou que podeira haver influência dos Estados Unidos nos julgamentos.

Pelas redes sociais, muitas críticas à visita. “Alô, Cristiano Zanin, aproveita para anexar essa postagem no processo a respeito do lawfare…”, disse um usuário, mencionando um dos advogados do ex-presidente Lula.

Guilherme Boulos, líder do MTST e candidato à presidência em 2018 pelo PSOL, também condenou o encontro. “Um conselheiro da Embaixada dos Estados Unidos visitou hoje o TRF-4, que condenou novamente Lula na semana passada. É muito descaramento. Como disse Rafael Correa: ‘Nunca vai haver golpe nos EUA porque não existe uma embaixada americana lá'”, declarou, citando o ex-presidente do Equador que está exilado na Bélgica por conta da perseguição judicial que tem sofrido.

Redação
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