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30 de março de 2019, 19h01

UFSCar reage a Bolsonaro com celebração à democracia

Atividades lembram dos mortos pela ditadura, incluindo o são-carlense Lauriberto José Reyes

A Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), por meio de coletivos e entidades lideradas pelo Arquivo Ana Lagôa – repórter da área militar no período da ditadura brasileira – preparou uma série de atividades para esta segunda-feira (01/04). “A ideia ocorreu depois de o presidente da república sugerir que se comemorasse o golpe de 1964”, explica a doutoranda em Ciências Política, Flávia Sanches de Carvalho, uma das organizadoras.

Diversas organizações e coletivos se organizaram em resposta ao presidente da República, Jair Bolsonaro, que determinou “comemorações devidas” os 55 anos do golpe militar. “O presidente não considera o 31 de março de 1964 golpe militar”, disse na segunda-feira (25), o porta-voz da presidência, general Otávio Rego Barros. A Justiça Federal de Brasília proibiu as comemorações na sexta (29), o governo recorreu e uma desembargadora cassou a proibição neste sábado (30). Bolsonaro já havia recuado ao dizer que a intenção era apenas “rememorar” a data nos quartéis.

Para Flávia Sanches, os organizadores do evento se recusam a comemorar o golpe de 1964 e a ditadura militar. “Comemorar nunca, esquecer jamais”, frisa. Em São Carlos, a programação começa às 12h com panfletagem, exibição de filmes, exposição de fotos, debates, rodas de conversa e a distribuição de cartazes que relembram a história de 12 mortos pela ditadura militar. As atividades se concentram nas dependências do Centro de Ciências Humanas (CECH), Área Sul.

Entre os casos relembrados, está o do são-carlense Lauriberto José Reyes, morto em 1972 pela ditadura aos 26 anos.  Militante político, Lauri, como era conhecido, ajudou a organizar o 30º Congresso da UNE na cidade de Ibiúna, onde foi preso, juntamente com outras lideranças estudantis.  Antes de ingressar na USP e se mudar para São Paulo, Lauri estudou na Escola Estadual Dr. Álvaro Guião e no Colégio Diocesano La Salle. Uma praça no Santa Marta e um Centro da Juventude no Cidade Aracy prestam homenagem a Lauriberto José Reyes. (http://bit.ly/2UhQ9tH)

“A lembrança que tenho dele é de afeto, ele era tão doce, carinhoso, estava sempre nas festas de família, era poeta, compositor, tocava violão. Eu tinha admiração pela militância dele”, lembra Cláudia Reyes, prima de Lauri e professora de Teorias e Práticas Pedagógicas da UFSCar.

Já a professora de Letras da UFSCar, Flávia Bezerra de Menezes Hirata Vale, enfatiza a importância do evento para preservar a memória. “Quando meu tio foi morto eu nem tinha nascido, mas as marcas da sua morte se mantêm indeléveis na minha vida”, observa. Ela é sobrinha de Luiz Hirata, estudante de Agronomia da USP e metalúrgico, morto pela ditadura aos 27 anos, conforme revelou a Comissão Nacional da Verdade (http://bit.ly/2CNjXUS).

História – Na madrugada de 31 de março de 1964 teve início o período mais sangrento da história brasileira. De acordo com a Comissão Nacional da Verdade, foram mortos, ou estão desaparecidos, 8.434 pessoas, das quais 8 mil são indígenas. Estima-se que entre 30 e 50 mil pessoas foram barbaramente torturadas. Os 21 anos de ditadura militar (1964-1985) também foram marcados por suspensão de direitos, partidos políticos, sindicatos e censuras.

Programação

12h – Panfletagem e intervenção visual no Restaurante Universitário

14h – Abertura da exposição “Golpe e Ditadura: nada a comemorar”, na UEIM (Unidade Especial de Informação e Memória – Prédio do CECH, Área Sul).

15h – Vídeo-debate sobre Lauriberto José Reyes, no auditório da UEIM/CECH.

17h – Roda de conversa “Militância, luta e movimento estudantil na ditadura militar”, no auditório da UEIM/CECH

18h – Reexistir na Pracinha: uma conversa sobre o romance “Noite dentro da noite”, de Joca Reiners Terron. Pracinha do Departamento de Letras, Área Sul

19h – Roda de conversa: “Luta pela democracia na ditadura militar e a importância do Estado democrático de direito pleno”, no Palquinho.

20h – Ato-brinde simbólico “Pela democracia, ditadura nunca mais!”, no Palquinho.


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