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30 de junho de 2020, 06h40

Grupo de milicianos liderado por Adriano da Nóbrega é alvo de operação sobre caso Marielle Franco

Agentes cumprem dois mandados de prisão contra os chefes do bando, além de 20 de busca e apreensão em vários pontos da cidade. Alguns locais são residências de três ex-PMs e de um policial inativo

Adriano da Nóbrega, miliciano ligado a Flávio Bolsonaro morto pela polícia (Arquivo)

A Polícia Civil e o Ministério Público realizam uma nova operação relacionada às investigações sobre o assassinato de Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes na manhã desta terça-feira (30) no Rio de Janeiro.

Leia também: Descobertas de caso Queiroz apontam para relação de Wassef com miliciano

O alvo dos agentes é o grupo de matadores Escritório do Crime, que foi comandado por Adriano da Nóbrega, miliciano que empregou mãe e irmã no suposto esquema de “rachadinha” no gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, que era liderado por Fabrício de Queiroz.

A operação é um desdobramento do caso Marielle que envolve o assassinato de Marcelo da Matta no mesmo dia da execução da vereadora do PSOL. Marcelo era marido de Samantha Miranda, que já havia sido casada com o ex-vereador Cristiano Girão.

Agentes cumprem dois mandados de prisão contra os chefes do bando, além de 20 de busca e apreensão em vários pontos da cidade. Alguns locais são residências de três ex-PMs e de um policial inativo.

O principal alvo é Leonardo Gouvea da Silva, o Mad, substituto do ex-capitão do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), Adriano Magalhães da Nóbrega, à frente da organização criminosa.

Prisão
Segundo o jornal O Globo, Mad foi preso na casa dele, de dois andares, na Vila Valqueire, na Zona Norte do Rio, e sem que fosse perguntado já se justificou.

“Não tenho nada com a morte da Marielle”, disse ao delegado Daniel Rosa e para a coordenadora do Gaeco, a promotora Simone Sibilio.

Mad era amigo de infância de Adriano da Nóbrega e recebeu dele a incumbência de liderar o Escritório do Crime, após o miliciano ser caçado pela polícia até ser morto em operação no interior da Bahia.

De acordo com as investigações, Mad e seu grupo são acusados do assassinato do empresário Marcelo Diotti da Mata, no estacionamento do restaurante Outback, na Avenida das Américas, Barra da Tijuca, no dia 14 de março de 2018. Diotti foi alvejado ao lado de seu carro, um Mercedes SUV branco. No local, foram encontradas cerca de 20 cápsulas de calibres 7.62 e 5.56.

A data do homicídio de Diotti coincide com a dos assassinatos de Marielle Franco e Anderson Gomes, no Estácio, na Zona Norte do Rio.

Da Mata era casado com Samantha Miranda, ex-mulher do ex-vereador Cristiano Girão, que fora condenado por formação de quadrilha e crime eleitoral. O ex-parlamentar também foi acusado de comandar uma milícia na Gardênia Azul, em Jacarepaguá. Ele chegou a ser investigado pela morte de Diotti, mas dissera, à época, que passou a noite numa churrascaria, também na Zona Oeste.

Além de Mad, também tiveram mandados de prisão expedidos pela Justiça: o irmão do chefe, Leandro Gouvea da Silva, o Tonhão, os ex-PMs João Luiz da Silva, o Gago; Anderson de Souza Oliveira, o Mugão; e Gurgel.

Também há um PM na inatividade conhecido como Janjão, com atuação na milícia do Morro do Fubá, em Campinho, na Zona Norte do Rio.

Tonhão também é remanescente do núcleo de Adriano e é considerado braço direito do chefe. Mad, Tonhão e Adriano jogavam bola em Quintino, quando eram crianças. O campo de futebol era administrado pelo pai dos dois irmãos, um ex-policial civil.

Mad chegou a figurar como suspeito das mortes de Marielle e Anderson. Tanto ele, como Adriano foram chamados para depor sobre o caso. Durante a primeira fase da operação, a equipe do ex-titular da DH, Giniton Lages, chegou a ouvir Mad em depoimento para saber o que ele fazia no dia em que Marielle foi morta.

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