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30 de julho de 2019, 14h17

Bolsonaro sinaliza acesso a inquérito da PF sobre hackers e diz que Glenn é “militante”

"Ah tá, o Greenwald é jornalista? Ele é jornalista? Ele é militante. Eles já acharam R$ 100 mil com gente deles lá, ta?", ironizou Bolsonaro, sinalizando acesso ao inquérito sigiloso da PF

Foto: Isac Nóbrega/PR

Jair Bolsonaro (PSL) voltou a atacar o jornalista Glenn Greenwald, do site The Intercept, nesta terça-feira (30), dizendo que o jornalista atua como “militante” e que “acharam R$ 100 mil com a gente deles lá”, sinalizando que teve acesso ao inquérito que resultou na prisão de hackers de Araraquara.

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Indagado sobre o valor citado, o presidente disse que “isso aí é reservado”, referindo-se à investigação sigilosa da Polícia Federal.

“Aqui, o Greenwald é jornalista? Ah tá, o Greenwald é jornalista? Ele é jornalista? Ele é militante. Eles já acharam R$ 100 mil com gente deles lá, ta?”, ironizou, chamando o jornalista de “militante”.

De forma confusa, demonstrando clara dificuldade de coesão, Bolsonaro tentou explicar a acusação feita por ele, de que Glenn teria cometido um crime.

“Quando você pega uma informação dessa —e se tivesse informação, nem sei se tem e nem sei se é verdade o que tiram lá de dentro— e começa a passar para frente, você está dando repercussão a um crime, pô. Você tem que ter a obrigação de desvendar aquele crime”, afirmou, após insinuar qual seria a ilegalidade cometida pelo jornalista. “O primeiro crime é invasão. Foi por terceiros”.

Interferência e ilações
Após ameaçar o jornalista de prisão no sábado (27), Bolsonaro afirmou nesta segunda-feira (29) que “no meu entender, ele cometeu um crime”.

“Eu estou achando que, no meu entender, ele cometeu um crime porque em outro país ele estaria já numa outra situação. Espero que a Polícia Federal chegue, ligue realmente todos os pontos. No meu entender isso teve transações pecuniárias”, levantamento ilação de que Glenn teria recebido dinheiro para publicar as reportagens da Vaza Jato. Sem explicar qual seria o crime, Bolsonaro causou constrangimento ao porta-voz, Rêgo Barros, que ficou em silêncio quando foi indagado sobre o assunto por jornalistas.

interferência política do ex-juiz e atual ministro da Justiça, Sergio Moro, nas investigações da Operação Spoofing, que prendeu os hackers de Araraquara, também tem causado mal-estar entre setores da Polícia Federal. Há na PF a avaliação de que o ministro parecia querer obter solidariedade de autoridades sobre o que aconteceu com ele. Um delegado reclamou da tentativa de instrumentalizar a investigação em favor da defesa de Moro.

 


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