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08 de setembro de 2019, 11h03

Conversas com Lula: “9 dedos” e o sarcasmo dos procuradores com o caos político que provocaram no Brasil

Nas conversas, procuradores referem-se à Lula como "9". Em 2015, o jornalista Ricardo Noblat já havia revelado que Lula era tratado como "nine" pela Lava Jato, mas os membros do MPF negaram na ocasião

Os diálogos espúrios dos procuradores da Lava Jato

Uma das mais graves revelações desde o início da série de reportagens da Vaza Jato, a reportagem deste domingo (8) da Folha de S.Paulo, em parceria com o site The Intercept, sobre as conversas gravadas do ex-presidente Lula escancaram a ironia e o sarcasmo com que procuradores da Lava Jato trataram o processo.

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A parcialidade política dos investigadores provocou um caos político no Brasil, que resultou em um golpe contra Dilma Rousseff (PT), presidenta democraticamente eleita, na prisão e impedimento do ex-presidente Lula, favorito nas pesquisas, a disputar a eleição de 2018, e alçou ao poder o governo de extrema-direita de Jair Bolsonaro, aparelhado com o ex-juiz, Sergio Moro, e muitos quadros da Polícia Federal que contribuíram para a farsa jato.

Blog do Rovai: Vazamento de como foi feito o grampo de Lula e Dilma mostra as vísceras do crime de Moro, Dallagnol e quadrilha

Nas conversas, Deltan Dallagnol trata Lula como “9”, em referência pejorativa ao ex-presidente, que perdeu um dedo da mão esquerda quando operário, e é remedado por seu pares, como o procurador Paulo Roberto Galvão. O “apelido” chulo já havia sido denunciado por Ricardo Noblat em 2015, quando disse que os procuradores se referiam a Lula como “nine”, mas à época isso foi negado por Deltan e companhia.

“Igor consegue pra mim CD ou DVD com todos os áudios do 9 e a análise dos que tiver? Estou sem nada pra ouvir no carro rsrsrs”, diz Deltan ao delegado Igor Romário de Paula, da Polícia Federal, no dia 9 de março com “rs” do sarcasmo demonstrado pela forma pejorativa como se refere a Lula.

“Liga p o deltan p ele explicar. Mas de qq forma tem um café da manhã agora entre o 9 e a presidenta para concluir a discussão”, remeda Paulo Galvão, já no dia 16.

Atuação política
Conscientes de sua atuação política, como observou Dallagnol ao dizer que “a questão jurídica é filigrana dentro do contexto maior que é político”, sobre o vazamento do grampo ilegal entre Lula e Dilma, os procuradores revelam uma visão infantilizada e parcial do cenário político, buscando a todo custo encaixar os fatos às teses conspiratórias criadas por eles, como se estivessem construindo as próprioas história de super heróis.

Acreditando estar acima da lei, eles desdenham inclusive de uma provável reprimenda do Supremo Tribunal Federal (STF) a Sergio Moro pela ilegalidade na divulgação dos audios. “Acho que não…já chagaram ao limite da bizarrice…a população está do nosso lado…qualquer tentativa de intimidação irá se voltar contra eles”, comenta Laura Tessler, antes da proposta de renúncia coletiva, de Orlando Martello, caso o ex-juiz fosse punido pelo crime.

A proposta, no entanto, é ironizado pelos procuradores que, entre “rs” e “hahahaha”, dizem de forma irônica que “adoram renunciar” e antecipam o pedido de prisão de Lula. “Renúncia coletiva nada….denúncia é pedido de prisão!!!!”, afirma Tessler, antes de uma “hahahaha”.

Mídia
As conversas também escancaram a participação da mídia, em especial da Globo, no conluio de destruição política da Lava Jato. Oito minutos após a GloboNews noticiar a divulgação da conversa entre Lula e Dilma, Carlos Fernando Lima Santos já comemora com os procuradores no Telegram: “Tá na globo news”. E tem como resposta um “Ótimo dia rs”, de Dallagnol.


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