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06 de agosto de 2019, 16h13

Dalagnoll: “Dodge não confronta o Gilmar Mendes de olho numa cadeira no Supremo”

Novo lote de conversas da série Vaza Jato aponta que Deltan sugeriu que Raquel Dodge estaria próxima de Gilmar Mendes como forma de conseguir uma cadeira no Supremo depois de seu mandato na PGR; diálogos aponta articulação ilegal do procurador para investigar o ministro do Supremo

Trecho em que Deltan Dallagnol cita Raquel Dodge. (Foto: El País)

Em mais um lote de conversas da Vaza Jato publicado nesta terça-feira (6), desta vez através de uma parceria entre o jornal espanhol El País e o The Intercept Brasil, o coordenador da força tarefa da Lava Jato em Curitiba, Deltan Dellagnol, aparece opinando sobre a postura da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, com relação ao ministro Gilmar Mendes. “A Raquel não confronta o Gilmar Mendes provavelmente por conta do sonho com uma cadeira no supremo”, comentou Deltan.

Na época, o mandato de Dodge na Procuradoria Geral da República (PGR) acabaria em cerca de um mês. Assim, a fala de Dallagnol na mensagem de junho de 2018 deduz que ela estaria próxima de Gilmar como maneira de conseguir o novo cargo assim que seu mandato terminasse.

Deltan ainda comentou que a sociedade tem um “encontro marcado” com o impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e que, se fosse necessário, deverá ser cobrada uma posição pública da PGR. “Sei que devemos medir palavras e nada disso é bom, mas Gilmar está abusando todos os limites”, completou o chefe da Lava Jato em outro trecho da conversa.

A principal problemática levantada neste novo capítulo da Vaza Jato foi a articulação de Dallagnol para buscar provas na Suíça para interdição ou impeachment de Gilmar Mendes. Segundo a reportagem, Dallagnol comentou saber de “um boato” ouvido de procuradores paulistas de que parte do dinheiro mantido por Paulo Preto em contas no exterior pertenceria a Mendes. “Mas esse boato existe mesmo?”, perguntou o procurador Athayde Ribeiro da Costa. “Pessoal da FT-SP disse que essa info chegou a eles”, respondeu Julio Noronha em referência aos colegas paulistas.

Gilmar chama Deltan de “criminoso”

Pouco após a divulgação dos novos diálogos, o ministro Gilmar Mendes concedeu uma rápida entrevista em que classificou a conduta de procuradores da Lava Jato ao articular investigação de membros da Corte, que é ilegal, como criminosa.

“Eu não me espantaria se não tivessem tentado forjar alguma cartáo de crédito internacional em meu nome. Eles estão no mesmo patamar dos criminosos que dizem investigar”, afirmou ao jornalista Ricardo Noblat.

No domingo (4), o ministro já havia classificado a operação como uma organização criminosa. “A impressão que eu tenho é que se criou no Brasil um estado paralelo. […] É uma organização criminosa para investigar pessoas. Não são eles que gostam muito da expressão Orcrim?”, disse.

 

 


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