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23 de setembro de 2019, 14h15

Dallagnol usou fama na Lava Jato para dar palestras entre evangélicos visando candidatura ao Senado em 2022

"Apesar de em 2022 ter renovação de só 1 vaga e de ser Álvaro Dias, se for para ser, será. Posso traçar plano focado em fazer mudanças e que pode acabar tendo como efeito manter essa porta aberta”, escreveu Dallagnol sobre sua futura candidatura ao Senado

O procurador Deltan Dallagnol (Arquivo)

Novas mensagens em grupos de Telegram divulgadas nesta segunda-feira (23) pela Agência Pública, em parceria com o site The Intercept, revelam que o procurador Deltan Dallagnol usa a fama obtida na Lava Jato para aumentar o número de palestras, especialmente em igrejas evangélicas, e preparar a candidatura para o Senado em 2022.

“Tenho apenas 37 anos. A terceira tentação de Jesus no deserto foi um atalho para o reinado. Apesar de em 2022 ter renovação de só 1 vaga e de ser Álvaro Dias, se for para ser, será. Posso traçar plano focado em fazer mudanças e que pode acabar tendo como efeito manter essa porta aberta”, escreveu em 29 de janeiro de 2018, numa longa mensagem enviada para si mesmo pelo Telegram.

Segundo a reportagem, após decidir não se candidatar em 2018, Dallagnol intensificou sua agenda junto à igrejas evangélicas para começar a formar a base de seu eleitorado para o próximo pleito.

Entre junho e setembro passado, com a campanha de Jair Bolsonaro pleiteando cada vez mais espaço entre os evangélicos, Dallagnol participou de ao menos 18 encontros com fiéis dessas igrejas, entre palestras e reuniões fechadas – uma média de 1 por semana.

O álibi sempre foi a campanha de medidas contra a corrupção, formulada pelos procuradores da Lava Jato.

“Uma vez aceitando um lugar, precisamos ter uma lista de entidades com quem conversar e de pessoas que são bons pontos de contato para ajudar a organizar. Por exemplo, igrejas temos o Juarez da Presbiteriana, o Dorgival… Para expandirmos a rede de influência em cada viagem”, explicou Dallagnol no chat “Palestras das Novas Medidas – A Grande Chance”, em que participavam duas funcionárias do MPF e Patrícia Fehrmann, membro do Instituto Mude, criado pelo procurador e ligado à Igreja Batista.


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