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07 de agosto de 2019, 06h27

Dallagnol usou Rede para propor ação contra Gilmar Mendes: “Randolfe: super topou”

Novos diálogos revelados nesta quarta-feira (7) pelo The Intercept e Portal Uol complicam ainda mais a situação de Deltan Dallagnol, que chegou a planejar uma ação para propor o impeachment ou interdição do ministro do STF

O procurador Deltan Dallagnol (Arquivo)

Uma nova troca de mensagens entre procuradores da Lava Jato divulgada nesta quarta-feira (7) pelo The Intercept em parceria com o portal Uol, revela que Deltan Dallagnol usou o partido Rede Sustentabilidade e o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) para extrapolar suas competências e mover uma ação contra o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

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Segundo a reportagem, Dallagnol procurou o senador para que ele apresentasse uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) para impedir que Gilmar soltasse presos em processos que ele não fosse o juiz da causa.

Em reportagem divulgada pelo The Intercept em parceria com o El País nesta terça-feira (6), Dallagnol quis buscar provas na Suíça para interdição ou impeachment de Gilmar Mendes após saber de “um boato” ouvido de procuradores paulistas de que parte do dinheiro mantido por Paulo Preto em contas no exterior pertenceria ao ministro.

Ao comentar as informações, Mendes disse não duvidar de provas forjadas e declarou que a atuação da Lava Jato é criminosa. “Eu não me espantaria se não tivessem tentado forjar alguma cartão de crédito internacional em meu nome. Eles estão no mesmo patamar dos criminosos que dizem investigar”, disse.

No Telegram
A conversa entre o procurador – que não tem competência para acionar um ministro do Supremo – e o senador ocorreu no dia 9 de outubro de 2018, menos de um mês depois que Gilmar Mendes soltou o ex-governador do Paraná, Beto Richa (PSDB) por decisão de ofício, sem ser provocado pelo Judiciário.

“Resumo reunião de hoje: Gilmar provavelmente vai expandir decisões da Integração pra Piloto. Melhor solução alcançada: ADPF da Rede para preservar juiz natural”, escreveu no grupo Filhos do Januário 3 no aplicativo Telegram, composto por membros da força-tarefa, às 14h13.

Pouco mais de duas horas depois, Deltan voltou ao grupo e comunicou a resposta positiva do senador. “Randolfe: super topou. Ia passar pra Daniel, assessor jurídico, já ir minutando. Falará hoje com 2 porta-vozes da Rede para encaminhamento, que não depende só dele”.

No dia seguinte, Diogo Castor, então procurador da Lava Jato, confirma que enviou “sugestão” da minuta aos assessores jurídicos do senador da Rede e solta um boato no grupo. “Bastidores: assessor do randolfe alves informou que a boca grande de bsb [Brasília] diz que gilmar vai soltar marconi perilo [Marconi Perillo (PSDB-GO), ex-governador de Goiás] pelo mesmo caminho”.

Em 11 de outubro, Deltan antecipou aos procuradores que a Rede estava entrando com a ADPF contra Mendes. “Hoje protocolada ADPF da rede contra GM [Gilmar Mendes]”.


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