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16 de setembro de 2019, 07h42

Delação da OAS, forjada para condenar Lula, não traz nada que possa incriminá-lo

Em delação homologada pelo STF neste mês e divulgada pela Vaza Jato, Léo Pinheiro cita articulações feitas por Lula, quando ele já não estava mais na Presidência, para favorecer negócios de empresas brasileiras no exterior

Leo Pinheiro (Arquivo)

Após mudar diversas vezes seu depoimento e pagar R$ 6 milhões para que executivos da OAS ajustassem as declarações para que procuradores da Lava Jato pudessem incriminar o ex-presidente Lula no caso do Triplex do Guarujá, Léo Pinheiro ainda tentou dar um tom ilegal às articulações feitas pelo petista para ajudar empresas brasileiras no exterior quando já estava fora da Presidência.

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Na delação, fechada com a Procuradoria-Geral da República e homologada neste mês pelo STF (Supremo Tribunal Federal), Léo Pinheiro disse que a OAS teria assumido uma obra da Queiroz Galvão na Bolívia “após apelos de Lula”, sem no entanto especificar a data do encontro em que teria ouvido o pedido do ex-presidente.

Segundo a nova reportagem da Vaza Jato, publicada na edição desta segunda-feira (16) da Folha de S.Paulo, a obra mencionada na delação, que circulou pelos grupos de Telegram dos procuradores da Lava Jato, é a construção de uma estrada entre as cidades de Potosí e Tarija, que havia sido iniciada pela Queiroz Galvão em 2003 e teve o contrato rompido em 2007.

Segundo o empreiteiro da OAS, Lula teria intermediado uma saída para o impasse, que estaria provocando riscos diplomáticos com o país vizinho, e pedido à OAS que assumisse a obra com a promessa do governo boliviano, liderado por Evo Morales, de uma compensação ao oferecer nova empreitada à empresa brasileira.

Sem provas
Sem apresentar nenhum tipo de prova de que houve contrapartida, Léo Pinheiro ainda cita palestras contratadas de Lula pela OAS na Costa Rica e no Chile para “influenciar em negócios da empresa”.

As palestras foram contratadas após Lula deixar a presidência e como resultado desenhou uma articulação de executivos da empreiteira com lideranças políticas dos países, como um encontro de Léo Pinheiro com Óscar Arias, ex-presidente costa-riquenho e prêmio Nobel da Paz de 1987.

À reportagem, a defesa de Lula disse por meio de nota que “a mentira negociada é a estratégia da Lava Jato para promover uma perseguição política contra o ex-presidente” e ressaltou que Léo Pinheiro foi preso até ajustar suas declarações às intenções da Lava Jato.

“Diálogos já revelados pela própria Folha envolvendo procuradores da Lava Jato mostram que Léo Pinheiro foi preso porque não havia apresentado uma versão incriminatória contra Lula. Da prisão, o empresário fabricou uma versão contra Lula para obter os benefícios que lhe foram prometidos, alterando o comportamento por ele adotado durante a fase de investigação”, diz, na nota, o advogado Cristiano Zanin.


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