Entrevista exclusiva com Lula
09 de julho de 2019, 20h37

Deltan se cala e demais procuradores da Lava Jato alegam que áudio está descontextualizado

Em comunicado, procuradores alegam que "as supostas mensagens atribuídas aos integrantes da força-tarefa são orindas de crime cibernético, e não podem ter seu contexto e veracidade verificados". O próprio Dallagnol ainda não se pronunciou oficialmente sobre as revelações.

Brasília - Procurador Deltan Dallagnol (E), coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato, se reúne com deputados da comissão especial que analisa projeto contra a corrupção (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Após o primeiro áudio divulgado pela série de vazamentos da Vaza Jato, na tarde desta terça-feira (9), a força-tarefa da Lava Jato no MPF-PR (Ministério Público Federal do Paraná) divulgou uma nota dizendo que “as supostas mensagens têm sido usadas, editadas ou descontextualizadas, para embasar falsas acusações que contrastam com a realidade dos fatos”.

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O texto também afirma que “as supostas mensagens atribuídas aos integrantes da força-tarefa são orindas de crime cibernético, e não podem ter seu contexto e veracidade verificados”. O próprio Dallagnol ainda não se pronunciou oficialmente sobre as revelações.

O áudio publicado nesta terça pelo The Intercept Brasil foi enviado originalmente ao grupo Filhos do Januário 3, do Telegram, no dia 28 de setembro, às 23h33. Segundo o site, o procurador Deltan Dallagnol avisa que mandará informação importante (“quem quer saber ouve o áudio”, explica), e logo grava a mensagem onde instrui os colegas sobre como lidar com as informações sobre a disputa de decisões entre os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), Luiz Fux e Ricardo Lewandoski: mais especificamente no momento em que Fux concedeu liminar para derrubar decisão de Lewandowski que autorizava a entrevista do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Folha de São Paulo, o que Dallagnol afirma que deveria ser tratado com sigilo, em um primeiro momento.

Em um trecho do áudio, Dallagnol diz que “não vamos alardear isso aí (liminar do Fux). Não vamos falar para ninguém. Vamos manter, ficar quieto, para evitar a divulgação o quanto for possível. Porque, quanto antes divulgar isso, antes vai ter recurso do outro lado, antes isso aí vai para o plenário (…) O pessoal pediu para a gente não comentar aí publicamente e deixar que a notícia surja por outros canais pra… Pra evitar precipitar recurso de quem é… tem uma posição contrária à nossa”. Além disso, Dallagnol classifica a medida de Fux como uma “notícia boa”.

A mensagem guarda relação com as primeiras revelações feitas pelo The Intercept na série Vaza Jato, no dia 9 de junho passado, que também se tratava de mensagens dos procuradores a respeito da possível entrevista de Lula à Folha de São Paulo, durante a campanha presidencial de 2018. Provavelmente por isso, o site publicou esta revelação neste dia 9 de julho, em comemoração ao primeiro mês do início da série de vazamentos, como explicam no próprio texto de sua reportagem.


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