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30 de agosto de 2019, 16h59

Em entrevista, Dallagnol esconde informações sobre remuneração de palestras

"A atividade da Lava Jato não é rentável para os seus membros. Outros procuradores recebem verbas que a gente não recebe", lamentou Dallagnol, que já teria recebido cerca de R$ 1 milhão com palestras sobre a operação

Deltan Dallagnol em palestra na FIEC - Foto: Divulgação

Em entrevista concedida ao jornalista Ricardo Senra, da BBC Brasil, em que o procurador Deltan Dallagnol relativizou as mensagens ofensivas contra familiares do ex-presidente e admitiu adotar uma estratégia “fora da caixa”, o coordenador da Operação Lava Jato também se eximiu de comentar os ganhos que obteve com as palestras devido à projeção que ganhou com a operação. No entanto, fez questão de divulgar que fez 34 palestras gratuitas.

“O senhor disse que foram 34 palestras gratuitas de um ano para cá. Essa informação vai estar na nossa reportagem. E eu também queria saber quanto dinheiro o senhor ganhou em palestras pagas neste mesmo período”, questionou o jornalista. “Essa é uma informação privada, de novo. Essa atividade é legal, legítima e privada. É a mesma coisa que eu perguntar qual é o seu salário”, respondeu Dallagnol.

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O jornalista então questionou se esse ocultamento não seria contraditório. “Não, não é contraditório. Essa é uma atividade privada, legítima, e eu não tenho nenhuma obrigação de oferecer essa informação, assim como você não é obrigado a fornecer o seu salário. O que eu posso dizer, em geral, só por uma questão de balanço geral, é que foram bem mais palestras gratuitas do que palestras remuneradas. Não só nesse período, mas se a gente somar todo o período desde 2015, 2016, o número de palestras gratuitas é bem maior que o de palestras remuneradas”, disse o procurador.

Ele ainda destacou que “a atividade da Lava Jato não é rentável para os seus membros” e que ele ganha menos que outros procuradores. “Outros procuradores recebem verbas que a gente não recebe”, lamentou, destacando que há processos movidos contra ele “pedindo mais de 1,2 milhão de reais nas costas” e que ele pode “vir a ser condenado”.

Dallagnol já teria ganho mais de R$ 1 milhão com palestras sobre sua atuação na Lava Jato. A arrecadação com essas atividades se tornou tão alta que o procurador chegou a cogitar abrir uma empresa e colocar sua esposa como “laranja”. Em mensagem enviada a Moro, Dallagnol conta vantagem sobre suas atuações como palestrante e incentiva o ex-juiz a seguir pelo mesmo caminho, destacando um evento que participaria na FIEC que dava passagens e entradas no Beach Park para ele e sua família. “Eu pedi pra pagarem passagens pra mim e família e estadia no Beach Park. As crianças adoraram. Além disso, eles pagaram um valor significativo, perto de uns 30k [R$ 30 mil]. Fica para você avaliar”, disse.

Empresa

Dallagnol afirma na entrevista que cogitou abrir tal empresa, apesar de dizer não reconhecer as mensagens. “Cogitei inclusive abrir empresa antes, em razão das palestras que eu faço. […] Se fosse feito uma empresa dessas, a gente exerceria uma função pedagógica. A gente eventualmente convidaria outros professores para dar aulas, o que é completamente legal, legítimo. Mas de novo nunca aconteceu. Não aconteceu porque a gente não tem tempo na Lava Jato para fazer isso”, contou.

Ele ainda afirmou que há ilegalidade na abertura de uma empresa por parte de procuradores da República e que as esposas não seriam laranjas. “Vários [procuradores] são [sócios de empresa]. […] O que não pode é ser sócio administrador, você não pode ficar assinando cheque, fazendo contabilidade. […] Não tem nada de errado você abrir e estar na empresa, ter a esposa na empresa ou qualquer outra pessoa que exerça essa função de administração. Quando saiu essa matéria, eu vi gente escrevendo que seriam laranjas. Releia as supostas mensagens, ainda que você admita que elas sejam verdadeiras, não tem nada de laranja”, disse.

Confira a íntegra da entrevista na BBC Brasil.


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