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31 de agosto de 2019, 09h10

Em entrevista exclusiva, Manuela D’Ávila conta detalhes sobre seu contato com o hacker de Araraquara

"A decisão que tomei me honra, me honra porque hoje o Brasil sabe, a partir do trabalho do Glenn, do Intercept e de outros veículos de comunicação, o envolvimento dessas autoridades em crimes horrendos", declarou a candidata à vice presidência nas eleições de 2018

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Em entrevista publicada neste sábado (31) na Folha de S. Paulo, Manuela D’Ávila, candidata à vice presidência nas eleições de 2018, contou sobre como foi seu contato com o hacker de Araraquara, que teria enviado as mensagens da Vaza Jato para o The Intercept Brasil, e diz se orgulhar de poder ter colaborado com as reportagens de alguma maneira.

“Para mim, o mais importante na entrevista e também em toda a operação ‘Vaza Jato’ é a relevância dos documentos que estamos tendo acesso”, disse a ex-deputada federal em entrevista à jornalista Thais Arbex, da Folha, em que conta detalhes sobre o contato mantido entre ela e o hacker, que supostamente seria Walter Delgatti.

“No Dia das Mães, estava organizando um almoço na minha casa, quando recebi uma notificação do Telegram que o meu telefone havia sido invadido. Logo em seguida, recebi uma mensagem de um contato da minha agenda telefônica dizendo que precisava falar comigo urgente. Tentei ligar, mas não consegui falar. Chegou, então, uma nova mensagem dizendo que não era aquela pessoa, mas sim outra que dispunha de muitas informações de crimes cometidos e queria me passar essas informações”, relatou

D’Ávila conta que a pessoa lhe disse que possuía documentos que expunham crimes de autoridades envolvidas na Operação Lava Jato, o que a fez ligar para os advogados para saber como proceder. A partir daí surgiu a ideia – por parte dela – de encaminhar o denunciante para o jornalista Glenn Greenwald. “A aferição da veracidade dos documentos era algo que me preocupava também, para eu ter claro que não se tratava de uma armação contra mim”, destacou.

“Na minha cabeça de jornalista, o Glenn preenchia um conjunto de critérios: fazer parte de uma equipe de jornalismo investigativo, não ter um editor-chefe ali todo dia [perguntando] se vai sair ou não vai sair. Alguém que tem um [prêmio] Pulitzer não queima o seu Pulitzer para dar um furo no Twitter”, contou Manuela.

Ela ainda comenta que não se arrepende da decisão que tomou, pelo contrário. “A decisão que tomei, como jornalista e como cidadã, foi passar para o maior jornalista do mundo aferir a veracidade dos crimes que se revelam, cotidianamente, cometidos por autoridades do Estado brasileiro […]  a decisão que tomei me honra, me honra porque hoje o Brasil sabe, a partir do trabalho do Glenn, do Intercept e de outros veículos de comunicação, o envolvimento dessas autoridades em crimes horrendos”, finalizou.

Confira a entrevista completa na Folha de S. Paulo


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