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06 de julho de 2019, 11h41

Haddad: Lava Jato se transformou em um projeto de poder

Em artigo na Folha, candidato do PT à presidência em 2018 comenta as conversas da Vaza Jato e avalia que Glenn Greenwald e até mesmo Jair Bolsonaro hoje representam uma "pedra no caminho" de Moro para seu projeto de poder

Foto: Eduardo Matysiak

Em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo neste sábado (6), o ex-ministro e ex-prefeito Fernando Haddad analisa que as conversas entre o ministro da Justiça, Sérgio Moro, e procuradores da Lava Jato, que vem sendo divulgadas pelo The Intercept Brasil e veículos parceiros, mostram que a operação de combate à corrupção se transformou em um “projeto de poder”.

Haddad, que foi para o segundo turno contra Jair Bolsonaro nas eleições de 2018, começa o texto reproduzindo trechos de diálogos entre procuradores sobre uma busca e apreensão contra o senador Jaques Wagner (PT-BA) às vésperas da eleição “por questão simbólica” e também sobre uma articulação para impedir uma entrevista de Lula na prisão, pois isso poderia “eleger o Haddad”.

“A resposta padrão dos supostos remetentes dessas mensagens, com pequenas variações, tem sido a seguinte: não confirmo que emiti esta mensagem, mas se ficar comprovado que sim —e isso será feito sem minha colaboração—, não vejo nada de mais. Até agora nenhum membro da força-tarefa da Lava Jato se dispôs a entregar seu celular para perícia. A única providência tomada até aqui pelas autoridades foi mandar investigar e intimidar o jornalista que recebeu a denúncia e a trouxe a público, cumprindo seu dever profissional”, escreveu o petista.

E prosseguiu: “Sabia-se, desde então, que para além do desejável combate à corrupção, possível graças ao fortalecimento das instituições (Ministério Público e Polícia Federal) e endurecimento da legislação (delação premiada e organização criminosa), a Lava Jato transformara-se em um projeto de poder”.

Para Haddad, o projeto de poder da Lava Jato se materializa em Moro. Nas entrelinhas, o ex-prefeito dá a entender que acredita que o ex-juiz almeje a presidência da República. Mas pondera: “Há duas pedras no meio do caminho de Moro, Jair Bolsonaro e Glenn Greenwald. Como notou Celso Rocha de Barros, a VazaJato interessa ao primeiro porque reduz Moro a um tamanho em que ainda faça bela figura sem tornar-se um rival”.

Confira aqui a íntegra do artigo.


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