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08 de agosto de 2019, 07h05

“Lava Jato saiu vitoriosa desta eleição”, declarou procurador em 7 de outubro de 2018

"Da pra sonhar com impeachment do gm [Gilmar Mendes]", escreveu Diogo Castor, em meio ao entusiasmo do chefe, Deltan Dallagnol: "Gente vamos receber vários casos legais"

Os ex-procuradores da Lava Jato, Diogo Castor e Luiz Francisco de Souza (Reprodução/Twitter)

Procuradores da Lava Jato não esconderam a euforia com o resultado do primeiro turno das eleições 2018 e viram na eleição de novos senadores a possibilidade de impeachment do que consideram sem principal algoz: o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes.

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“Lava Jato saiu vitoriosa desta eleição”, publicou no grupo da Lava Jato o procurador Diogo Castor às 20h45 do dia 7 de outubro, em meio à divulgação do resultado das eleições. “Da pra sonhar com impeachment do gm [Gilmar Mendes]”, escreveu menos de 3 minutos depois. As informações são da reportagem publicada nesta quinta-feira (8) pelo The Intercept, em parceria com o portal Uol.

“Sonhar sempre pode, Diogo. Mas não tem chance de se concretizar”, respondeu a procuradora Laura Tessler, em meio ao entusiasmo do chefe, Deltan Dallagnol: “Gente vamos receber vários casos legais”.

Na madrugada
O assunto voltou à tona durante a madrugada do dia 8, quando o procurador Paulo Roberto Galvão começou a propor estratégias para afastar o ministro do STF.

“Olha aí. Agora sim, pela primeira vez é possível sim de se pensar em costurar um impeachment de Gilmar. Mas algo pensado e conversado e não na louca sem saber onde vai dar”, escreveu às 1h07.

Dallagnol havia dito que 11 senadores eleitos eram apoiadores do Movimento Unidos Contra a Corrupção, capitaneado pela Lava Jato, e Diogo Castor fez contas.

“Precisamos de 54 senadores”, listou. “Se tem onze comprometidos com as medidas contra a corrupção”, continuou o raciocínio. “Faltam 43 de 70”.

Exposição
Mais comedido, o procurador Orlando Martello Junior avaliou que o impeachment era impossível, mas que poderiam desgastar a imagem do ministro.

“Impeachment, diria, é impossível. Talvez costurar um pedido de convocação, em q ele fique exposto, com cobranças, puxão de orelha e coisa tal, é mais factível. Os novos senadores, q não tem o rabo preso, podem ver isso como uma alavancagem”, escreveu às 8h.

Reportagem da Vaza Jato desta quarta-feira (7) mostra que Deltan Dallagnol usou o partido Rede Sustentabilidade e o senador Randolfe Rodrigues para propor uma ação contra Gilmar Mendes.


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