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04 de julho de 2019, 09h37

Léo Pinheiro, da OAS, pagou R$ 6 milhões para delatores da empreiteira ajustarem depoimentos

Diferentemente do que diz na carta enviada à Folha para manter os privilégios da delação premiada, o ex-presidente da OAS não só mudou suas declarações - adequando ao que queriam os procuradores da Lava Jato para incriminar o ex-presidente Lula -, como pagou para que executivos da empreiteira "ajustassem os depoimentos aos interesses" dele

Leo Pinheiro e procuradores da Lava Jato (Montagem)

Diferentemente do que diz na carta enviada à Folha de S.Paulo para manter os privilégios da delação premiada, o ex-presidente da OAS, Leo Pinheiro, não só mudou suas declarações – adequando ao que queriam os procuradores da Lava Jato para incriminar o ex-presidente Lula -, como pagou para que executivos da empreiteira “ajustassem os depoimentos aos interesses” dele.

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As informações constam da reclamação trabalhista de um ex-executivo da OAS, que disse à Justiça que delatores escalados pela empreiteira receberam R$ 6 milhões para adequarem suas declarações ao que a empresa pedia.

Ex-gerente administrativo da OAS, Adriano Quadros de Andrade diz que recusou a oferta, negociando sozinho a delação com o Ministério Público Federal (MPF). Como consequência, diz ter sofrido represálias e “jogado à própria sorte”.

Ele conta ter sido demitido sem receber o adicional de 40% de FGTS, nem qualquer amparo financeiro da empresa. O motivo, diz ele, é não ter entrado no pacote de diretores, cujas delações foram montadas de acordo com as diretrizes do “andar de cima” da empreiteira, conforme alega no processo. Como resultado, teve de pagar multa de R$ 150 mil, que foi reajustada para R$ 250 mil.

Testemunha de Andrade no processo, o ex-diretor da OAS Mateus Coutinho de Sá confirmou tudo o que foi alegado pelo ex-colega. Em seu depoimento, disse que todos os executivos que negociaram juntos suas delações receberam doações simuladas de R$ 6 milhões.

Como a empresa entrou em recuperação judicial pouco tempo depois, alegou dificuldades financeiras e não honrou o compromisso: Coutinho disse só ter recebido metade do valor que foi prometido.

Carta
Após ter sido usado pelos investigadores da Lava Jato para incriminar Lula e ver a delação que cita magistrados engavetada na Procuradoria-Geral da República, Leo Pinheiro diz na carta à Folha que rechaça a possibilidade de ter adaptado suas declarações para que seu acordo de delação premiada fosse aceito pela Lava Jato.

A carta foi enviada, depois que a Folha, em parceria com o site The Intercept, divulgou mensagens entre procuradores da Lava Jato que indicam que as declarações de Leo Pinheiro foram tratadas com desconfiança pela Operação Lava Jato durante quase todo o tempo em que se dispôs a colaborar com as investigações.

As mensagens indicam que Léo Pinheiro, ex-presidente da construtora OAS, só passou a ser considerado merecedor de crédito após mudar diversas vezes sua versão sobre o apartamento tríplex de Guarujá (SP) que a empresa afirmou ter reformado para o líder petista.

“Sobre o Lula eles não queriam trazer nem o apt. Guaruja”, escreveu o promotor Sérgio Bruno Cabral Fernandes a outros integrantes da equipe que negociou com os advogados da OAS em agosto de 2016, numa discussão sobre a delação no aplicativo Telegram. “Diziam q não tinha crime.”

Na carta, Leo Pinheiro reforça as teses levantadas por ele contra Lula e diz que não optou pela delação por pressão das autoridades, mas sim como uma forma de “passar a limpo erros”. “Não sou mentiroso nem vítima de coação alguma”, afirma.


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