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04 de agosto de 2019, 21h47

Maria do Rosário sobre palestras de Moro: “Juiz pode fazer bico em horário de expediente?”

“Eu acho estranhíssimo a pessoa ser paga pelo Estado pra trabalhar e cobrar pelo trabalho”, postou a deputada

Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados

A deputada federal Maria do Rosário (PT-RS) foi ao Twitter para criticar o ex-juiz e atual ministro da Justiça, Sérgio Moro, que omitiu uma palestra remunerada proferida em setembro de 2016, período em que ainda era o juiz responsável pelas ações da Operação Lava Jato.

“Eu acho estranhíssimo a pessoa ser paga pelo Estado pra trabalhar e cobrar pelo trabalho. Se um médico do SUS cobrar do paciente tá errado. Se Prof. cobrar aula em escola pública, tá errado. Juiz pode fazer bico em horário de expediente? Tá errado. Entao q fosse em sua folga”, tuitou a deputada, sobre mais essa denúncia da Vaza Jato.

A palestra não consta da prestação de contas de Moro ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que relatou que o ex-juiz declarou participação em 16 eventos externos em 2016, incluindo nove palestras, três homenagens e duas audiências no Congresso.

De acordo com a Folha de S.Paulo e The Intercept Brasil, em 22 de maio de 2017, Moro informou a Dallagnoll do interesse de um executivo do grupo de comunicação Sinos em uma palestra sua. “Ano passado dei uma palestra lá para eles, bem organizada e bem paga”, escreveu o juiz. “Passa sim!”, concordou Deltan, animado.

CNJ

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determina que juízes de todas as instâncias são obrigados a prestar informações de todas as palestras e eventos.

Os juízes têm 30 dias para informar as atividades, devendo registrar data, assunto, local e entidade responsável pela organização. A resolução do CNJ, no entanto, faculta os juízes a declarar eventuais remunerações.


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