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01 de julho de 2019, 12h01

Rodrigo Janot sobre conversas entre Moro e Dallagnol: “Não é comum”

Embora afirme que "a prova ilícita pode ser usada a favor de alguém" - referindo-se à maneira como as mensagens teriam sido obtidas -, ex-PGR desconsidera que as conversas divulgadas pelo The Intercept possam ser usadas para obter a liberdade de Lula

Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil/Arquivo

Ex-procurador-geral da República em um dos momentos mais ostensivos e tensos da Lava Jato, Rodrigo Janot afirmou em entrevista a Mariana Muniz e Isadora Peron, na edição desta segunda-feira (1º) do Valor Econômico, que “não é comum” as conversas entre o ex-juiz e ministro da Justiça, Sergio Moro, e o procurador Deltan Dallagnol, que estão sendo divulgadas pelo site The Intercept.

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“Agora, que não é comum, não é [as conversas]. Eu tinha conversas com o relator da Lava-Jato no Supremo. Mas conversas como um advogado tem com o relator, ou com o juiz. Se eu mandei três mensagens no WhatsApp para o Teori [Zavascki], foi muito, e nunca ele interferia no meu trabalho e eu no trabalho dele. Agora, eu mandava alguns avisos. “Chegou na minha mão uma bomba e eu queria que o senhor tomasse conhecimento disso.” Isso é normal”, disse.

Embora afirme que “a prova ilícita pode ser usada a favor de alguém” – referindo-se à maneira como as mensagens teriam sido obtidas -, ele desconsidera que as conversas possam ser usadas para obter a liberdade do ex-presidente Lula.

“São duas as questões que têm que ser colocadas no caso do Lula. Primeira, a utilização da prova ilícita. E essa é uma prova ilícita. Isso ninguém discute. Se ela pode ser usada ou não para beneficiar. E a segunda é essa: se essa suposta parcialidade na fase inicial contamina todas as outras instâncias. Quando o Tribunal Regional Federal da 4ª Região analisa o recurso, é um novo julgamento. Tanto é que ele agravou a pena”, diz, complementando em seguida.

“A essa altura, eu não acho que o processo, especificamente o do Lula, que já passou por mais de uma instância, que você possa dizer que houve a contaminação por parcialidade”.

O procurador, que pode aparecer em novas conversas da Vaza Jato, diz não temer a divulgação de mensagens suas, a não ser pelo “palavrão a cada seis palavras”.


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