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05 de novembro de 2019, 06h38

“Rosa Weber mandou lils [Lula] pastar”, comemorou delegado após Moro e Lava Jato sonegarem informação

Novas conversas divulgadas pela Vaza Jato mostram que grampo em Lula permitiu a investigadores anteciparem ações de advogados e enganarem Rosa Weber em decisão poucos dias antes da condução coercitiva do ex-presidente

O ex-presidente Lula em entrevista à Fórum na sede da PF em Curitiba (Ricardo Stuckert)

Novas conversas da Vaza Jato, divulgadas nesta terça-feira (5) pela Folha de S.Paulo em parceria com o site The Intercept, revelam que o ex-juiz e atual ministro da Justiça, Sergio Moro, e investigadores da Lava Jato sonegaram informações a ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), para tentar influenciar no julgamento de uma ação da defesa do ex-presidente para suspender as investigações.

Entre as informações sonegadas estaria a menção da ministra em dois grampos de conversas de Lula com o advogado Roberto Teixeira, sócio do escritório que defende o ex-presidente. O acesso aos áudios da conversa de Lula com a defesa permitiu aos investigadores anteciparem ações para tentar incriminar o petista.

Para tentar barrar a proposta da defesa de Lula – de escalar o atual senador Jaques Wagner para fazer contato com a ministra -, Deltan Dallagnol disse que “um contato lá seria bom, mas teríamos que abrir a existência do diálogo e poderia vazar”, em referência à menção de Rosa Weber no grampo. “O moro pode neutralizar”, sugeriu Januário Paludo, lembrando aos colegas que o juiz trabalhara com Rosa.

Antes da Lava Jato, Moro trabalhou como juiz instrutor no gabinete de Rosa Weber durante o julgamento do escândalo do mensalão, em 2012.

Condução coercitiva
A articulação dos investigadores da Lava Jato ocorreu após a defesa de Lula dar entrada na ação, em 26 de fevereiro de 2016. À época, Moro e os procuradores já articulavam a condução coercitiva de Lula, em mais um espetáculo midiático da Lava Jato, que aconteceu no dia 4 de março.

Neste intervalo, os procuradores da Lava Jato elaboraram um documento com informações a serem levadas a Rosa pela Procuradoria-Geral da República.

“Não abra nada”, disse o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima durante uma discussão no Telegram sobre as informações que seriam repassadas ao então PGR, Rodrigo Jano, visto com desconfiança pelos procuradores de Curitiba. “Se finja de morto”, afirmou Paludo. “Tem havido vazamentos dentro do gabinete”, acrescentou Carlos Fernando.

“Sou contra falar sobre qualquer coisa sobre operação”, reiterou Carlos Fernando. “Apenas sobre a necessidade de que o STF não interrompa a investigação”.

Deltan foi a Brasília no dia 29, segunda-feira, e tratou do assunto com o procurador Eduardo Pelella, chefe de gabinete de Janot. Pelella levou as informações produzidas pela força-tarefa ao Supremo à tarde e deixou-as com o chefe de gabinete de Rosa, segundo as mensagens obtidas pelo Intercept.

“Boa conversa com o chefe de Gabinete dela”, disse Pelella a Deltan no Telegram, após a reunião no tribunal. “Mas o cara é fechadão”.

No mesmo dia, Rosa decidiu contra a defesa de Lula, afirmando que que não encontrara indício de ilegalidade na condução das investigações que justificasse interferir no trabalho do Ministério Público em estágio tão prematuro.

A decisão foi comemorada pela Lava Jato no grupo de whatsapp. “Rosa weber mandou lils pastar”, escreveu o delegado Márcio Anselmo, tratando o ex-presidente pelas iniciais do seu nome. “Uhuuuuuu”.

Moro mandou encerrar a interceptação e levantou o sigilo das investigações duas semanas depois, tornando público o conteúdo dos telefonemas de Lula, incluindo as conversas em que ele sugeriu aos aliados que procurassem Rosa Weber e uma ligação feita por Dilma após a interrupção do grampo.

A divulgação dos áudios, no mesmo dia em que a presidenta nomeou Lula ministro do seu governo, aprofundou a crise e selou o início do golpe que resultou na queda de Dilma da Presidência.

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