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07 de julho de 2019, 10h27

Sérgio Moro ironiza matéria da Vaza Jato sobre interferência na Venezuela: “É sério isso?”

Novas conversas reveladas pelo The Intercept Brasil em parceria com a Folha de S. Paulo mostram que Moro articulou para que a Lava Jato vazasse informações da delação da Odebrecht sobre a Venezuela para interferir na política do país vizinho, o que é ilegal

Sérgio Moro (Foto: Lula Marques)

O ministro da Justiça, Sérgio Moro, reagiu com ironia às novas reportagens da Vaza Jato divulgadas neste domingo (7) que revelam uma articulação do então juiz com procuradores da Lava Jato, em 2017, para interferir nos rumos políticos da Venezuela.

“Novos crimes cometidos pela Operação Lava Jato segundo a Folha de São Paulo e seu novo parceiro, supostas discussões para tornar públicos crimes de suborno da Odebrecht na Venezuela, país no qual juízes e procuradores são perseguidos e não podem agir com autonomia. É sério isso?”, tuitou Moro.

As conversas inéditas divulgadas pelo The Intercept Brasil e Folha de S. Paulo mostram uma articulação de Moro junto a procuradores da força-tarefa, principalmente Deltan Dallagnol, para vazar dados da delação da Odebrecht sobre a Venezuela que estava sob sigilo.

“As conversas privadas pelo aplicativo Telegram em agosto de 2017 indicam que a principal motivação para o vazamento era política, e não jurídica, e que os procuradores sabiam que teriam que agir nas sombras”, explica o site The Intercept Brasil.

“Os diálogos indicam que o objetivo principal da iniciativa era dar uma resposta política ao endurecimento do regime imposto pelo ditador Nicolás Maduro ao país vizinho, mesmo que a ação não tivesse efeitos jurídicos”, complementa a Folha de S. Paulo.

A interferência do judiciário brasileiro na política de outros países, ainda mais se utilizando de uma delação sob sigilo, é uma prática ilegal.

Pelo Twitter, o editor do The Intercept Brasil, Leandro Demori, analisou os novos vazamentos. “A operação que sempre se disse ‘técnica e apartidária’ negociou com dissidente, abrigou secretamente colegas venezuelanos e conspirou para interferir na política externa de outro país mesmo sob risco de ‘levar a mais convulsão social e mais mortes’, como uma procurador alertou”, postou.

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), que é ex-juiz federal, apontou pelo Twitter que Moro agiu ao arrepio da lei ao articular vazamentos sigilosos para interferir na política de outro país. “Soberania: não podemos aceitar que um juiz ou procurador de outro país interfiram em assuntos internos do Brasil. Simetria: juiz e procurador do Brasil não podem praticar atos políticos para interferir em outro país. Qualquer que seja ele. Basta cumprir artigo 4º da Constituição”, escreveu.


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