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16 de julho de 2019, 19h35

Vaza Jato: Barroso, do STF, marcou coquetel com Moro e Dallagnol e pediu “máxima discrição”

Novas conversas reveladas por Reinaldo Azevedo reforçam as intenções de Dallagnol em ganhar dinheiro com a Lava Jato, chegando a falar em "entretenimento", e trazem à tona um encontro às escuras entre um ministro do STF, um juiz de primeira instância e um procurador

Moro, Barroso e Dallagnol (Foto: José Cruz/Agência Brasil )

O jornalista Reinaldo Azevedo divulgou em seu blog e no programa “É da Coisa”, da BandNews FM, na noite desta terça-feira (16), conversas inéditas entre o ex-juiz Sérgio Moro e o procurador Deltan Dallagnol. Os diálogos fazem parte do material recebido pelo The Intercept Brasil através de uma fonte anônima e compõem a série de reportagens que ficou conhecida como Vaza Jato.

O chat inédito reforça as intenções de Dallagnol, já expostas em outros vazamentos, em lucrar com a visibilidade obtida através da operação Lava Jato, e trazem à tona ainda um coquetel às escuras com o chefe da força-tarefa e o então juiz Moro, promovido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso.

Conforme adiantado por Azevedo, as conversas reveladas nesta terça-feira (16) não configuram uma “denúncia” ou ilegalidade, mas são passíveis de questionamentos no ponto de vista ético.

Em um diálogo de agosto de 2016, Dallagnol e Moro falam sobre um convite de Barroso para um coquetel reservado, em honra aos convidados do evento “Democracia, Corrupção e Justiça: Diálogos para um País Melhor”, organizado pelo ministro da Suprema Corte. Em uma das mensagens, Dallagnol repassa a Moro as orientações de Barroso sobre o encontro às escuras.

Caros Deltan, Moro, Oscar, Caio Mário e Susan: Tereza e eu teremos o imenso prazer em recebê-los para um pequeno coquetel/jantar em nossa casa, no dia 9 de agosto próximo, 3ª feira, às 20:30, em honra dos participantes do evento “,Democracua, Corrupção e Justiça: Diálogos para um País Melhor”. Será uma reunião em traje casual, com a presença limitada aos organizadores do evento, o que inclui membros da minha assessoria e poucos dirigentes do UniCEUB. Com máxima discrição. Na medida do possível, desejamos manter como um evento reservado e privado. Estamos muito felizes de tê-los aqui. Nosso endereço é [TRECHO OMITIDO POR ESTE ESCRIBA]. Nosso telefone é [TRECHO OMITIDO]. Deltan tem meu telefone e pode ligar em qualquer necessidade. Abraços a todos. Luís Roberto Barroso”, diz o e-mail do ministro.

Antes, Moro e Dallagnol conversara sobre o convite e, na mesma conversa, o procurador chega a associar a Lava Jato com “entretenimento” ao narrar sua participação, meses antes, no Programa do Jô, da Globo.

Confira o diálogo.

20:08:40 Deltan – Copiei Vc de modo oculto em email em que envio endereço, repassando o convite.
20:49:17 Deltan – informo que a arte do convite da Palestra – Democracia, corrupção e justiça: diálogos para um país melhor, que ocorrerá no dia 10 de agosto, já está pronta, conforme link que segue abaixo. Ademais, indico que na segunda-feira estarei em contato para informar sobre o roteiro de atividades (refeições, aeroporto, translado). https://www.uniceub.br/media/891615/moro_convite.pdf 2
2:26:27 Moro – Como foi no Jô? 22:29:11 Moro – Não recebi o email com endereço
22:43:39 Deltan – Ele quer que Vc vá, e seria bacana Vc ir… só não sei o timing rs. Da vez anterior que fui, eu fui mais no conteúdo. Nessa vez, tentei mesclar conteúdo com entretenimento e acho que o resultado foi bacana…. 22:45:14 Deltan -Vou checar por que não foi e reenvio
22:51:41 Deltan – Pra mim dá como enviado… deve chegar amanhã, mas adianto por aqui
Ao expor os novos diálogos em seu programa de rádio, Azevedo pontuou: “Não é crime, a questão é saber se é conveniente num estado de direito”.

“Parece que o ministro do Supremo, onde tramita parte dos processos oriundos da Lava Jato e algumas de suas derivações, tem consciência de que o jantar/coquetel oferecido por um figurão da terceira instância com quem COM QUEM ACUSA E COM QUEM JULGA EM PRIMEIRA poderia não cair muito bem se tornado público”, completou o jornalista em seu blog.

Moro, Dallagnol e Barroso ainda não se pronunciaram oficialmente sobre os diálogos divulgados.

 


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