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06 de agosto de 2019, 14h40

Vaza Jato: “Cuidado, o STF é corporativista”, alertou procurador a Dallagnol

Os procuradores da Lava Jato sabiam que a saga do procurador Deltan Dallagnol contra o ministro do STF Gilmar Mendes era perigosa e ilegal. Paulo Galvão, um dos participantes do chat do MPF, tentou puxar o freio de mão do obsessivo Dallagnol.

Foto: Agência Brasil

Os procuradores da Lava Jato sabiam que a saga do procurador Deltan Dallagnol contra o ministro do STF Gilmar Mendes, revelada em reportagem desta terça-feira (6) que inaugurou parceria do The Intercept com o jornal espanhol El País, era perigosa – e contra a lei. Nas mensagens, Dallagnol dá conta de que a investigação deve acontecer nas sombras e o colega Carlos Leão avisa que o STF pode acabar com ele por conta da investigação ilegal.

“Nós não podemos dar a entender que investigamos GM [Gilmar Mendes]”, diz Dallagnol em trecho de conversa divulgado pelo El País. “Caso se confirme essa unha e carne, será um escândalo”, afirmou o procurador em referência a relação de Paulo Preto com Gilmar Mendes, causa em que ele, ilegalmente, se debruçava.

Sob coordenação de Dallagnol, procuradores da Lava Jato planejaram acionar investigadores na Suíça para tentar reunir munição contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes. O objetivo era pedir a suspeição ou até o impeachment do magistrado. “Vale ver ligações de PP [Paulo Preto] pra telefones do STF”, disse Dallagnol em outro trecho.

A ação comandada pelo procurador era vista com cautela pelos seus pares, provavelmente devido ao fato da Constituição limitar à Procuradoria-Geral da República o papel de investigar ministros do Supremo. “Mas cuidado porque o STF é corporativista, se transparecer que vocês estão indo atrás, eles se fecham para se proteger”, declarou o procurador Paulo Galvão.

Galvão o tempo todo se mostrou um dos mais preocupados com o rumo das conversas. “Não é novidade que Gilmar veio do PSDB e de dentro do governo FHC!!! Cuidado com isso”, ressaltou em outro momento do chat. Dallagnol fez pouco caso: “Agora é diferente” (…) “Não é uma crença ou partido em comum” (…) “É trabalhar lado a lado, unha e carme”.


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