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23 de agosto de 2019, 06h49

Vaza Jato: Dallagnol já lucrou mais de R$ 1 milhão em palestras com a fama na Lava Jato

Procurador também mentiu ao Conselho Nacional do Ministério Público, alegando que as palestras tinham finalidade "cívica" e que os lucros iriam para um fundo - que nunca existiu - para financiar ações de combate à corrupção

Deltan Dallagnol em evento na Fiec (Foto: Divulgação)

Reportagem da Folha de S.Paulo em parceria com o site The Intercept nesta sexta-feira (23) revela que o procurador Deltan Dallagnol já lucrou mais de R$ 1 milhão em palestras após a fama adquirida como chefe da Lava Jato.

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O valor é referente às palestras sobre corrupção vendidas pelo procurador desde 2016, quando parte dos recursos foram doados às instituições filantrópicas. A Vaza Jato, no entanto, revela que a partir de 2017 os contratos de palestras com o procurador mudaram e os lucros foram direto para a conta do próprio Dallagnol – que chegou a cogitar até mesmo a abertura de uma empresa, colocando a esposa como laranja.

Com foco no mundo corporativo – em clientes da área de saúde, como a Unimed, e do sistema financeiro, como a Febraban e a XP Investimentos – a partir de 2017, Dallagnol teria faturado desde então ao menos R$ 580 mil, segundo mensagens, planilhas, recibos e contratos que circularam na sua conta no aplicativo Telegram.

Mentiras
Dallagnol ainda teria mentido na resposta a uma reclamação disciplinar sobre as palestras que havia sido protocolada em 2017 na Corregedoria do CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público) pelos deputados federais Paulo Pimenta (PT-RS) e Wadih Damous (PT-RJ).

Na sua alegação, o procurador afirmou que suas palestras deveriam ser enquadradas como atividade docente e argumentou que a atividade tinha como objetivo principal promover combate à corrupção e colaborar com ações de filantropia e sociais.

No entanto, no próprio documento enviado à Corregedoria, Dallagnol admite mudanças nos contratos, dizendo que 90% do dinheiro recebido por ele iria para um “fundo que será empregado, ao tempo oportuno, em despesas ou custos decorrentes da atuação de servidores públicos em operações de combate à corrupção”. O fundo, no entanto, nunca existiu.

“Presto esses esclarecimentos para deixar claro para a sociedade que o objetivo das palestras não é enriquecer, mas sim contribuir com a causa cívica, embora eu pudesse legalmente dar destinação pessoal aos recursos, como muitos profissionais da área pública e privada fazem”, relatou ainda o procurador no ofício à Corregedoria.


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