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03 de setembro de 2019, 19h12

Vaza Jato: Deltan Dallagnol quis ser candidato ao Senado e achava que seria “facilmente eleito”

Procurador, que desistiu da candidatura em 2018 mas deixou a possibilidade em aberto para 2022, ainda queria que a Lava Jato tivesse um candidato por estado

Foto: Reprodução/YouTube

Nova reportagem da série Vaza Jato divulgada pelo The Intercept Brasil nesta terça-feira (3) reforça a atuação política e partidária da operação Lava Jato. Diálogos inéditos obtidos pela fonte do site de Glenn Greenwald mostra que o procurador Deltan Dallagnol, em 2017, queria ser candidato ao Senado.

Ele teria desistido da candidatura em 2018 mas deixou a possibilidade em aberto para 2022. “Seria facilmente eleito”, disse em uma mensagem para ele mesmo. Isso mesmo, Dallagnol mantinha um chat consigo mesmo no Telegram onde postava reflexões pessoais.

“Tenho apenas 37 anos. A terceira tentação de Jesus no deserto foi um atalho para o reinado. Apesar de em 2022 ter renovação de só 1 vaga e de ser Álvaro Dias, se for para ser, será. Posso traçar plano focado em fazer mudanças e que pode acabar tendo como efeito manter essa porta aberta”, disse em outra mensagem.

Outros diálogos mostram ainda que Dallagnol queria, mais do que se candidatar ao Senado, fazer com que a operação Lava Jato tivesse um candidato por estado em todo o país.

“Em mais de um momento, ele afirma que teria apoio da força-tarefa caso decidisse concorrer, o que indica que isso foi tema de debates internos”, pontuam os repórteres do The Intercept Brasil.

As mensagens mostram que Dallagnol pode ter desistido da candidatura em 2018 por avaliar que isso mancharia a imagem da operação Lava Jato. Ele confessa, em outra mensagem para si mesmo, que sua candidatura revelaria que a Lava Jato tinha atuação política. “Muitas pessoas farão uma leitura retrospectiva com uma interpretação de que a atuação desde sempre foi política. Pior ainda, pode macular mais do que a Lava Jato, mas o movimento anticorrupção como um todo, que pode parecer politicamente motivado. Por fim, a candidatura pode macular as 10+ como uma plataforma pessoal ou de Deltan para eleição, retirando aura técnica e apartidária”, escreveu o coordenador da força-tarefa.

O procurador Vladimir Aras, nome indicado por Deltan Dallagnol e Sérgio Moro para a PGR, foi um dos incentivadores de Dallagnol, dizendo que ele poderia derrotar “inimigos” da operação, como Gleisi Hoffmann (PT-PR) e Roberto Requião (MDB-PR), então senadores pelo Paraná. O coordenador então lança a possibilidade de ser criada uma rede e Aras inclui ainda Sérgio Moro como candidato.

Vladimir Aras – 10:30:29 – Vc tem de pensar no Senado
Deltan Dallagnol – 12:58:02 – Obrigado pelo incentivo, mas vejo muitos poréns
Aras – 13:09:38 – Vc se elege fácil e impede um dos nossos inimigos no Senado: Requiao ou Gleise caem
Dallagnol – 13:29:56 – Não resolve o problema. Ajuda se o MPF lançar um candidato por Estado. Seria totalmente diferente e daria trabalho, mas pode ser uma das estratégias para uma saída.
Dallagnol – 13:30:22 – No PR não precisaria ser eu rs, mas eu apoiaria fortemente essa rede de candidatos
Dallagnol – 13:30:44 – Ou pensamos alguma saída maluca, ou estamos ferrados
Aras – 13:45:12 – Vc e Moro
Aras – 13:45:14 – Ou Carlos

A Vaza Jato expõe ainda mensagens de diversos procuradores defendendo a candidatura de Deltan Dallagnol. Confira a íntegra da reportagem aqui.

 


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