quarta-feira, 30 set 2020
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Vaza Jato: FBI entrevistou Youssef, Cerveró e Costa com apoio do MP de Curitiba

Nova reportagem da Vaza Jato publicada pela Agência Pública em parceria com o The Intercept Brasil neste sábado (4) mostra como os procuradores da Lava Jato de Curitiba trataram de encobrir a participação do FBI nas investigações, que não foi apenas de “acompanhamento”.

Conversas reveladas pela Vaza Jato apontam que Deltan Dallagnol, coordenador da Lava Jato em Curitiba, tratou de encobrir visitas realizadas por procuradores do Departamento de Justiça dos EUA (DOJ) e agentes do FBI a investigados na operação.

Em 5 de outubro de 2015, ocorreu a primeira visita dos estadunidenses. Cerca de 17 agentes vieram ao país. No dia seguinte, o Ministério da Justiça acionou Dallagnol por tomar conhecimento da comitiva, já que colaborações neste sentido precisam passar por Brasília.

“Delta, MSG DO MJ”, foi o que disse o procurador Vladimir Aras a Dallagnol em conversa no Telegram após receber um e-mail do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI) do Ministério da Justiça, chefiado por Ricardo Saadi. O ministro era José Eduardo Cardozo.

O e-mail, então, foi compartilhado em um grupo de Telegram chamado “FTS-MPF”. A resposta de Dallagnol foi: “eles consultem o DOJ, porque eles pediram que mantenhamos confidencial”. Negando, desta forma, as informações às autoridades.

Depois, Aras ironizou: “O Executivo está ‘indignado’. […] Tem gente com medo de cair na grade americana. Já prevejo viagens internacionais de fim de ano sendo canceladas”. Dallagnol também mostra cumprir ordens dos estadunidenses ao orientar a Assessoria de Comunicação. “Americanos não querem que divulguemos as coisas”, afirmou.

Em julho de 2016, uma comitiva do DOJ seguiu orientações de Deltan Dallagnol e ouviu o ex-diretor da área internacional da Petrobras Nestor Cerveró e o ex-diretor de abastecimento Paulo Roberto Costa sem questionamentos no Supremo Tribunal Federal.

Em novembro, do mesmo ano, eles interrogaram o doleiro Alberto Youssef durante seis horas, assim como seu ex-funcionário Rafael Ângulo Lopez.

Confira aqui a reportagem completa da Agência Pública

Redação
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