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18 de julho de 2019, 08h34

Vaza Jato: Interferência de Moro causou bate-boca entre Dallagnol e Carlos Fernando

"Carlos Vc quer fazer os acordos da Camargo mesmo com pena de que o Moro discorde?", diz Deltan Dallagnol, repreendendo a insubordinação do procurador Carlos Fernando Santos Lima

Carlos Fernando Santos Lima e Deltan Dallagnol (Reprodução/Youtube)

A interferência do ex-juiz Sergio Moro nas negociações para delação de executivos da Camargo Corrêa, em fevereiro de 2015, causou mal estar entre procuradores da Lava Jato e causou um bate-boca entre o chefe da força-tarefa, Deltan Dallagnol, e o procurador Carlos Fernando Santos Lima. Os diálogos são parte da reportagem da Folha de S.Paulo e foram divulgados na íntegra no blog do Reinaldo Azevedo.

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No dia 24 de fevereiro de 2015, durante a negociação para delação de Dalton Avancini e Eduardo Leite da Camargo Corrêa, Santos Lima reclama com Dallagnol da falta de “liberdade” para negociar os termos e diz que o que é pedido é “jogar para a plateia, dobrar demasiado o colaborador, submeter o advogado”.

“O procedimento de delação virou um caos. Creio que se a sua divisão de serviço pressupõe que eu e Januário [Paludo] estamos encarregados dos acordos, eles devem ser tratados por nós. Você é o Promotor natural e pode discordar, e eu sempre ouço todos, mas o que vejo agora é um tipo de barganha onde se quer jogar para a platéia, dobrar demasiado o colaborador, submeter o advogado, sem realmente ir em frente. Não sei fazer negociação como se fosse um turco. Isso até é contrário à boa-fé que entendo um negociador deve ter. E é bom lembrar que bons resultados para os advogados são importantes para que sejam trazidos novos colaboradores. Eu desejo que sejam estabelecidas pautas razoáveis, e que eu e Januário possamos trabalhar com mais liberdade”, escreveu Santos Lima.

No mesmo dia, Deltan responde dizendo que os acordos são “sensíveis” e que a Lava Jato precisa da “opinião pública”.

“Os acordos são sensíveis por diversas razões. Uma é opinião pública e precisamos dela meu amigo. Outra é o fato de que nossa e minha reputação estão ligados ao caso. Estamos numa era tecnológica e como promotores não ganhamos mas dependemos de nossas reputações”.

Carlos Fernando, então, se mostra indignado e Deltan repreende o comandado em letras garrafais – que mostra estar gritando – determinando que o procurador fale com Moro antes de assinar os termos da delação.

“Carlos Vc quer fazer os acordos da Camargo mesmo com pena de que o Moro discorde? Acho perigoso pro relacionamento fazer sem ir FALAR com ele, o que não significa que seguiremos. Podemos até fazer fora do que ele colocou (quer que todos tenham pena de prisão de um ano), mas tem que falar com ele sob pena de ele dizer que ignoramos o que ele disse. Vc pode até dizer que ouve e considera , mas conveniência é nossa e ele fica à vontade pra não homologar, se quiser chegar a esse ponto. Minha sugestão é apenas falar”.


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