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05 de julho de 2019, 08h29

Vaza Jato: Moro mentiu para Teori Zavascki para manter processos, como os de Lula, em Curitiba

Segundo reportagem da Veja em parceria com The Intercept, Moro tinha obsessão em manter a Lava Jato sob seu comando e chegou a mentir para o ex-ministro do STF para evitar que processos da força-tarefa fossem parar em outras esferas judiciais

Sergio Moro e Teori Zavascki (Montagem)

Segundo reportagem da Vaza Jato publicada nesta sexta-feira pela Revista Veja, o ex-juiz federal Sérgio Moro mentiu ou ocultou informações ao ex-ministro do STF Teori Zavascki para que processos, como o de Lula, seguissem sob sua tutela.

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Na matéria, é destacado o processo de Flávio David Barra, ex-presidente da Andrade Gutierrez Energia, preso em 28 de julho de 2015, em que a defesa alegou ao ex-ministro Teori Zavaski que Moro não tinha competência de julgar o caso por envolver parlamentares como o então senador Edison Lobão (MDB-MA).

Cobrado por Teori, o ex-juiz afirmou não saber de envolvimento de parlamentares. No entanto, mensagens divulgadas pela Veja mostram que Moro pediu para a delegada Erika Marena “não ter pressa” em protocolar planilha de Barra que descreve pagamentos a diversos políticos.

Em conversa com o procurador Athayde Ribeiro Costa – que diz precisar com urgência de uma “planilha/agenda” apreendida com Barra – Marena responde que, por orientação de “russo” (Moro), não tinha tido pressa em “eprocar” (protocolar o documento no sistema eletrônico da Justiça) a planilha.

Segundo a reportagem, ainda que Moro não soubesse da planilha na época em que foi consultado pelo ministro do STF, essa demora tinha como objetivo manter o caso em Curitiba e configura ocultamento de provas. “Um juiz não pode ocultar provas, e, se o diálogo tiver a autenticidade comprovada, estamos diante de uma conduta bastante problemática”, analisou o advogado Gustavo Badaró, professor de processo penal da USP, à Veja.

Segundo a reportagem, a manutenção dos casos da Lava-Jato em seu poder em Curitiba era uma das obsessões de Moro, como nos casos do Triplex do Guarujá e do Sítio de Atibaia, relacionados a Lula. No caso do triplex do Guarujá, o ministro Teori Zavaski manteve o processo nas mãos de Moro, mas anulou as escutas de conversas entre Lula e Dilma.

Entre as mensagens divulgadas, Moro aparece comemorando anúncio de Dallagnol de que denúncia contra Lula seria protocolada: “um bom dia afinal”.

Renato Rovai, editor da Fórum, comenta no vídeo abaixo essa nova reportagem da parceria The Intercept e Veja. Assista


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