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22 de setembro de 2019, 06h52

Vaza Jato: Para conseguir delação, procuradores aliviaram para dono e executivos da Odebrecht

Mensagens mostram que a Lava Jato deixou de tomar medidas drásticas contra Emílio Odebrecht, como afastá-lo do controle da empresa, para conseguir fechar acordo de delação premiada com os executivos

Emilio Odebrecht (Reprodução)

A Folha de S. Paulo, em parceria com o The Intercept Brasil, publicou neste domingo (22) mais uma matéria da série Vaza Jato. A nova reportagem trata sobre o acordo de delação premiado fechado entre a operação Lava Jato e a empreiteira Odebrecht em 2016. Mensagens entre procuradores no aplicativo Telegram mostram que a operação abriu mão de medidas mais duras contra o dono da empresa, Marcelo Odebrecht, para que conseguissem arrancar delação de executivos.

Entre as medidas que foram cogitadas, estavam obrigar os donos da Odebrecht a vender suas ações na empresa, para que se afastassem completamente do cargo após a delação, além de impedir a empresa de pagar os advogados dos delatores e arcar com as multas impostas aos executivos, assim os donos não conseguiriam manter o patrimônio acumulado. Nenhuma dessas penalidades, no entanto, foram adotadas – conforme defendeu o coordenador da força-tarefa, Deltan Dallagnol.

“Os diálogos examinados pela Folha e pelo Intercept indicam que os procuradores deixaram de lado essas medidas com o avanço das negociações, para não inviabilizar o acordo com a Odebrecht, que era um dos maiores grupos empresariais do país e entrou em crise quando foi atingido pela Lava Jato”, diz a reportagem. O conteúdo das mensagens, inclusive, foi confirmado com três pessoas que participaram das negociações à época: segundo eles, os procuradores jamais levaram as medidas cogitadas à mesa do acordo.

As mensagens mostram que, em junho de 2016, Dallagnol e outros dois procuradores sugeriram aos colegas que a empresa fosse impedida de assumir as multas. “Executivos devem arcar, na minha opinião”, disse o procurador. Ele propôs que a empresa fosse punida com a rescisão do acordo se pagasse as penalidades dos executivos. No entanto, prevaleceu a segunda opção: a empresa pagou as multas de seus delatores premiados.

Dallagnol, ao poupar os donos da empresa, fez exatamente o contrário do recomendado pelo procurador suíço Stefan Lenz. Em abril de 2016, Lenz, em uma colaboração com a Lava Jato do Brasil, informou que os executivos da empresa sabiam de todo o esquema de corrupção e que tinham, inclusive, recebido pagamentos fora do Brasil. O procurador suíço, então, recomendou ao chefe da força-tarefa no Brasil: “Emilio e a maioria dos diretores têm contas na Suíça e estão com suas contas diretamente envolvidas no esquema ilegal. Então por favor não facilitem muito para eles”.

Confira a íntegra da reportagem na Folha de S. Paulo


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