quarta-feira, 28 out 2020
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Vaza Jato: “Vimos presidentes derrubados no Brasil”, diz agente do FBI que tinha “total conhecimento” da Lava Jato

Reportagem do site The Intercept, em parceira com a Agência Pública, divulgada nesta quarta-feira (1º) sobre conversas obtidas pela Vaza Jato revelam que a agente especial do FBI, bureau estadunidense de investigação, Leslie Rodrigues Backschies foi designada para acompanhar a Lava Jato que, sob o comando de Deltan Dallagnol, deu a araponga dos Estados Unidos “total conhecimento” das investigações.

“Nós vimos presidentes derrubados no Brasil. Esses são os resultados de casos como esses. Se você está olhando para membros do alto escalão de governos, há muitas sensibilidades”, disse Leslie em entrevista à Associated Press em março de 2019, sobre o golpe na ex-presidenta Dilma Rousseff.

Segundo conversas obtidadas pela Vaza Jato, a agente estadunidense era tratada com status de “super star” pelos procuradores da Lava Jato, que tinham relação direta com o FBI.

Em outubro de 2015, depois de cortejar Leslie em envento com procuradores em São Paulo meses antes, a procuradora Thaméa Danelon, ex-coordenadora da Força-Tarefa em São Paulo, conversa com Dallagnol sobre a ida a Washington para dar curso ao FBI sobre a Lava Jato.

“O FBI pediu pra eu falar sobre a Lavajato no curso em Washington, tudo bem? Vc me mandaria um material em Inglês? Eles tb. querem q eu fale sobre as 10 Measures!!!! show heim? até eles já sabem da campanha!!!”, escreveu a procuradora, sobre as chamadas 10 Medidas contra a Corrupção, que foi encampada pela Lava Jato.

Deltan responde: “Animal. Não é tudo bem. É tudo excelente!!!!!”

O vislumbre dos procuradores brasileiros pela agência espiã estadunidense se repete em conversa de Paulo Roberto Galvão sobre o pedido de ajuda para para “quebrar” ou “indicar um hacker” para acessar o sistema My Web Day, supostamente usado para pagamento de propina pela Odebrecht e alvo de denúncias de manipulação pela defesa do ex-presidente Lula e de outros investigados na Lava Jato.

“O canal com o FBI é com certeza muito mais direto do que o canal da embaixada (dos EUA). O FBI tb já tem conhecimento total das investigações, enquanto a embaixada não teria”, informa Paulo Roberto. “De minha parte acho útil manter os dois canais”, escreve Galvão em resposta ao promotor Sérgio Bruno, que coordenava a Lava Jato em Brasília, em agosto de 2016.

Leia a reportagem completa no site da Agência Pública

Redação
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